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Malhancide inova na estratégia

A empresa especialista em tricotagem está a incluir novas malhas na sua oferta, atualmente focada nos artigos orgânicos, que já representam 80% da produção. A inovação passa também pela estratégia de internacionalização, que está a ser estruturada para não se ficar apenas pela presença em feiras.

Lóris Pereira

A Malhancide erigiu um departamento de inovação para acompanhar a evolução do mercado, especialmente no que diz respeito às matérias-primas. «As bases das malhas praticamente já estão criadas. A inovação nas malhas faz-se pelas matérias-primas – algumas, há uns anos, eram completamente impensáveis», afirma Lóris Pereira, sócio-gerente da Malhancide. Urtiga, algas, linho, bambu, lã e caxemira são algumas das fibras que a empresa está a usar para diferenciar a sua coleção no mercado. «Fazemos uma busca incessante de matérias-primas que podemos obter para transformar em malhas», explica ao Portugal Têxtil.

Desta diferenciação faz parte a aposta em opções mais ecológicas. «Pegámos nos produtos que já tínhamos desenvolvido e transformámos em orgânicos. Apostámos também nos reciclados», revela o sócio-gerente, que adianta que «houve um crescimento de cerca de 300% em vendas de orgânicos» e que «mais de 80% das produções que temos são de orgânicos».

Para isso contribuiu a certificação GOTS – Global Organic Textile Standard, que detém desde há três anos, e um trabalho continuado em linhas com esta vertente verde. «As coleções que apresentámos nas últimas duas estações estão a dar frutos agora. Estamos a falar de orgânicos em malhas completamente básicas, o que nos fez passar para malhas mais estruturadas e complexas, como jacquards e acolchoados. Tudo o que nos é permitido fazer com a percentagem de orgânico, desde que seja certificado GOTS, nós estamos a criar e a desenvolver neste momento e é isso que estamos a apresentar nesta coleção [para o outono-inverno 2020/2021]», destaca.

Com uma capacidade produtiva que ronda as 120 toneladas por mês, a Malhancide tem também efetuado investimentos em tecnologia para alargar a sua abrangência, sempre na produção de malhas circulares, incluindo com a aquisição de sistemas jacquards e de máquinas para a produção de jogos mais grossos. «Estamos a falar em teares de valor acrescentado, que permitem fazer um produto bastante diferenciado», sublinha Lóris Pereira. «Podemos agora garantir que não temos um tipo de malha – fazemos todo o tipo de malhas, tudo o que é possível fazer, em teares circulares», assegura.

Lá para fora passo a passo

Embora a Première Vision Paris fizesse, no ano passado, parte dos planos da Malhancide, a administração da empresa reviu a sua estratégia de internacionalização e, para aumentar as exportações, que diretamente não ultrapassam os 10%, decidiu avançar para um contacto com agentes em diferentes mercados, em vez da presença imediata em feiras. «Estamos a tentar criar uma rede de agentes próprios dentro da Europa. Ou seja, em vez de fazer só a feira, quando formos a uma feira queremos ter já agentes, um parceiro de negócio, alguém que colabore diretamente com a Malhancide em cada país. A estratégia da empresa não é só fazer feiras mas manter a proximidade com o cliente», resume o sócio-gerente. Um percurso que já começou a ser palmilhado. «Estamos, neste momento, a tentar arranjar ferramentas para depois podermos crescer. Tudo o que a Malhancide faz é pensado, recalculado e, embora pequeninos, estamos constantemente a dar passos», admite Lóris Pereira.

O ano de 2019, embora ainda não esteja fechado, não deverá trazer crescimento à especialista em tricotagem, que atualmente emprega 25 pessoas. «Desde janeiro que tem sido sempre a baixar gradualmente. Não sentimos de forma drástica, mas de uma forma geral, por eco do que os nossos clientes nos vão transmitindo, as coisas têm vindo a abrandar em relação aos últimos anos», revela o sócio-gerente, que atribui à Turquia parte dessa quebra. «Há uma grande concorrência por parte da Turquia, com a desvalorização da moeda. Nota-se que muitas das compras, em vez de serem feitas em Portugal, passaram para a Turquia. E houve um abrandamento do consumo», aponta.

No entanto, garante, o otimismo é para manter. «Nós, portugueses, temos sempre aquela forma de estar de que nunca está nada bem. Mesmo que esteja em pleno sucesso, podia estar melhor. Eu defendo que, tendo saúde e paixão por aquilo que fazemos, as coisas mais cedo ou mais tarde aparecem. Tendo cuidado, dando passos muito bem calculados. Pode custar mais um bocadinho mas chegamos lá», afiança Lóris Pereira.