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Malhas e estamparia digital na oferta da Penteadora

A produtora de tecidos laneiros está a alargar o leque de produtos e, para o outono-inverno 2022/2023, está a introduzir a K.N.I.T., uma linha de malhas para casacos e calças mais formais, e a Digital [Print], com tecidos em misturas de lã preparados para estamparia digital.

António Teixeira

Face a uma menor procura por tecidos para vestuário formal, que é o core business da Penteadora, a empresa do Grupo Paulo de Oliveira está a alargar a oferta, com artigos pensados para um maior conforto do consumidor. «O produto tradicional de teia e trama tem tido menor procura e o consumidor tem procurado algo diferente, que de alguma forma traga mais conforto, seja mais casual, mas sem deixar de estar elegante», explica António Teixeira, administrador da Penteadora.

Em resposta, a empresa criou uma oferta de malhas, batizada K.N.I.T. Collection – que sem os pontos faz referência à palavra “malha” em inglês, mas que é um acrónimo de “Knits, our New and Inspired Trend” (algo como “Malhas, a nossa Nova e Inspirada Tendência”). «É uma área nova que estamos a desenvolver, recorrendo fundamentalmente a fios nossos, de produção própria, e é destinada essencialmente a casacos ou blazers e calças», indica António Teixeira.

A tricotagem é efetuada com um parceiro e o objetivo é manter essa forma de trabalhar, até porque, garante o administrador da Penteadora, «não seremos nunca um malheiro, não seremos nunca uma empresa de malhas. Temos é um complemento àquilo que é a nossa oferta tradicional». Uma alternativa que tem sido «bem recebida», mas que continuará a ser aprimorada. «Estamos numa fase ainda embrionária e a aperfeiçoar a nossa oferta. No entanto, pelas texturas, pelas cores e pelas performances que apresentamos, os clientes têm ficado encantados», salienta.

A coleção para o outono-inverno 2022/2023 tem ainda em estreia outra área que a Penteadora apelidou de Digital [Print] Collection. «Se pensarmos em termos de estamparia digital, a novidade não é nenhuma, já se faz há muitos anos. A questão aqui é que a oferta que existe no mercado tradicional é poliéster e algodão e a nossa oferta de base são as misturas de lã com poliéster e com elastano, para conferir conforto, e isso, de facto, creio que não existe no mercado», aponta António Teixeira.

Tendo estes tecidos por base, o cliente pode trabalhar com desenhos exclusivos ou selecionar os desenhos sugeridos pela Penteadora, que pode ainda, com recurso a parceiros, entregar o artigo já estampado. «Tem sido a nossa filosofia quando não temos os meios, procurar complementá-los e sempre com parceiros portugueses, o mais próximos possível de nós, porque acreditamos que essa proximidade e o falarmos a mesma língua facilita os negócios e o entendimento sobre aquilo que é pretendido. Até agora não nos temos enganado, portanto mantemos essa filosofia de trabalho», sublinha o administrador.

Novidades técnicas em investigação

Esta nova coleção de moda tem sido apresentada em diversas feiras internacionais, nomeadamente a Milano Unica, em julho, a Munich Fabric Start, no final de agosto e início de setembro, e na Première Vision Paris, em meados de setembro, com boa aceitação.

Já em relação aos artigos mais vocacionados para áreas mais técnicas, como a área militar e vestuário de proteção, as novidades deverão chegar no final do ano. «O mercado acalmou um pouco nessa área nestes últimos dois anos, tem estado a trabalhar muito naquilo que era habitual e já existia. Com o reinício da atividade [pós pandemia] que está a acontecer, estará mais disponível e interessado em receber novas ideias», acredita António Teixeira. Por isso mesmo, a Penteadora deverá «apresentar três ou quatro produtos novos e diferentes até ao final do ano», que estão «neste momento em fase de testes e aperfeiçoamento das suas performances, na busca do melhor produto» e, posteriormente, estará presente na próxima edição da Techtextil, agendada para 21 a 24 de junho de 2022.

Uma retoma gradual da atividade, depois de um ano de 2020 «difícil de superar», confessa António Teixeira. «Foram desafios muito grandes, quer a nível comercial, quer a nível económico, quer a nível de gestão das pessoas, quer a nível de gestão da saúde. Foi muita coisa a acontecer e foi preciso aprendermos e adaptarmo-nos a elas», reconhece. Ainda assim, a empresa conseguiu resultados acima dos estimados inicialmente. «Quando se encerrou a atividade na Europa, as análises que fizemos de qual seria o impacto na atividade na empresa e no volume de negócios foram muito pessimistas. Mas conseguimos, penso eu, fazer uma boa gestão da situação e os resultados com que chegámos ao final do ano em termos de encomendas e faturação foram bastante satisfatórios para o contexto», considera.

A área da moda, que foi a principal afetada, retomou em julho deste ano, embora ainda com «sinais de avanço e recuo», pelo que a expectativa é que só em 2022 a empresa consiga recuperar destes «dois anos de transição», face aos sinais atuais do mercado. «Aquilo que nos é dado a perceber, quer pelo número de encomendas, que está em crescendo, quer pelas conversas que mantemos com os clientes e aquilo que vemos exteriorizado nos seus rostos, é que o final do último trimestre e principalmente o início de 2022 pode ser bastante interessante e muito diferente», refere António Teixeira. «Se continuar como está agora, devo dizer que 2022 vai ser, de facto, um ano melhor», conclui o administrador da Penteadora.