Início Notícias Têxtil

Malhas e tecidos para todos

Seja em malhas ou em tecidos, empresas como a Penteadora, Carlom, LMA, TrimNW e Mehler estão a fazer avançar a inovação “made in Portugal”, desde estruturas tridimensionais às propostas ignífugas, passando pelas aplicações industriais ou para a área da saúde.

Ricardo Fernandes (TrimNW)

Na terceira participação na Techtextil, em maio deste ano, a Penteadora expôs tecidos para vestuário de proteção para bombeiros, polícias e militares, assim como para a indústria, fruto de uma aposta nos artigos técnicos que começou há cinco anos. «Visam a proteção essencialmente ao fogo e ao calor», explicou António Teixeira, administrador da empresa que faz parte do grupo Paulo de Oliveira. «Trouxemos novas propostas para os fatos destinados ao combate ao fogo urbano», revelou.

O desenvolvimento de um casaco multicamada para bombeiros, que foi trabalhado nos últimos dois anos e meio, é constituído por um tecido exterior, resistente mecanicamente, com um acabamento químico especial que protege o utilizador dos salpicos por ácidos ou hidrocarburantes e que permite a proteção direta ao fogo, complementado com um tecido para o interior, com fibras ignífugas, para uma proteção adicional. «Temos ainda uma membrana que protege adicionalmente o utilizador da penetração de líquidos, mas que deixa simultaneamente o vapor de água da transpiração sair», acrescentou o administrador. «Não há em Portugal nenhuma empresa que fabrique os tecidos e que pudesse, até hoje, apresentar uma solução global aos nossos bombeiros. Com esta solução, os bombeiros portugueses e as empresas que apresentam as soluções aos bombeiros, podem finalmente contratar uma solução “made in Portugal” para os tecidos», garantiu António Teixeira.

Entre os produtos em estreia, a Penteadora mostrou ainda os tecidos multirrisco, pensados para companhias elétricas e petrolíferas. «Parece um simples fato-macaco mas não é – é produzido com fibras ignífugas. Ao contrário de muito material de vestuário de trabalho que existe no mercado – que é fabricado com algodão e que leva um acabamento retardante ao fogo, que não é a mesma coisa que ignífugo, e que lavagem após lavagem vai perdendo o acabamento –, com as soluções da Penteadora, ao longo da vida útil, o tecido mantém-se ignífugo e, portanto, o utilizador sabe que está, de forma permanente, protegido contra o perigo do fogo e do arco elétrico», destacou António Teixeira.

O próximo passo nos tecidos técnicos da Penteadora passa pelos artigos de alta visibilidade, «mas em simultâneo que sejam protetores do fogo e do calor. As fibras que utilizamos, pelas suas características, dificultam a obtenção de produtos com alta visibilidade. Portanto, há questões técnicas difíceis de ultrapassar, mas já temos bons indicadores nessa área e pensamos que, brevemente, poderemos apresentar as nossas soluções», admitiu o administrador.

Inovação em 3D

Já as malhas 3D foram a mais recente adição à oferta da Carlom. «O que faz delas inovadoras essencialmente é a circulação do ar, a resistência à abrasão, o design e o peso», enumerou o diretor comercial Filipe Pereira. Estas malhas tridimensionais estão a ser usadas no calçado técnico e desportivo, mas também na indústria dos têxteis-lar. «Há outros sectores. Por exemplo, recebemos um cliente da indústria das correias de distribuição que quer fazer um ensaio com malha tridimensional num produto mais técnico, para tentar utilizar o nosso produto nessa aplicação», desvendou.

Filipe Pereira (Carlom)

Uma outra área de aplicação é a indústria automóvel, que representa 50% do volume de negócios da Carlom. «Trata-se de um mercado [as malhas 3D] onde estamos a entrar e daí até conseguirmos começar a vender esse produto com essa aplicação, demora muito tempo, é preciso passar uma série de certificações. Estamos, pouco a pouco, a tentar fazê-lo», revelou o diretor comercial.

Um substrato têxtil respirável, impermeável e termorregulador que pode ser usado em resguardos de colchão para pessoas acamadas e uma malha que protege das radiações eletromagnéticas foram os dois produtos da LMA em destaque. O primeiro, batizado Thermic 3D, «é um produto que tem três características que não são fáceis de integrar no mesmo produto: uma boa coluna de água, uma boa respirabilidade e uma boa camada de ar entre as duas superfícies do produto», afiançou o diretor-executivo Manuel Barros. A isso «acrescenta-se também alguma capacidade de regulação térmica». Já o segundo, em resposta a um desafio lançado por um cliente, consegue proteger das radiações eletromagnéticas, mantendo o conforto. Entre outras aplicações, «verificamos que pode ser usado como interior de bolsos de casacos para pessoas que usam pacemaker», apontou.

Manuela Soares, Manuel Barros e Filipa Pereira (LMA)

Na estreia em Frankfurt, a TrimNW Moulded Parts and Nonvowens destacou os não-tecidos, uma das áreas de negócio da empresa, que trabalha também peças moldadas têxteis. «Trabalhamos essencialmente para a área automóvel, por isso é que estamos aqui nesta feira», justificou Ricardo Fernandes, sales manager da empresa, que fornece o tejadilho dos táxis de Londres. O objetivo desta primeira presença foi, essencialmente, «apresentar os nossos produtos e aquilo que conseguimos fazer com os nossos não-tecidos», admitiu, reconhecendo ter recebido contactos da Índia, Malásia, República Checa, Rússia, Espanha, França e Inglaterra, «tudo dentro do segmento automóvel».

Nova identidade

Já a Mehler, que apresentou a nova identidade, depois da reestruturação levada a cabo no ano passado que resultou em cinco divisões de negócio, incluindo a de Engineered Products, mostrou-se focada na mobilidade elétrica, na saúde e na construção. «Estamos a trabalhar em novos projetos para a mobilidade elétrica mas ainda não são produtos no mercado, são projetos de desenvolvimento», indicou Alberto Tavares, CEO da Mehler, que tem uma unidade de produção em Vila Nova de Famalicão que dá emprego a cerca de 300 pessoas. Em parceria com o CEiiA e a Universidade do Minho, a Mehler está a trabalhar «em produtos para baixar o peso da bateria dos automóveis. Ainda não são produtos finais, são produtos que estão em estudo e desenvolvimento. Mas, claramente, a redução do peso dos carros elétricos é uma área em que estamos focados neste momento», afirmou.

Alberto Tavares (Mehler)

Para a indústria farmacêutica, a Mehler mostrou um produto usado no processo de produção das borrachas de silicone dos frascos de insulina. «As borrachas de silicone têm de ter uma característica: quando se tira a seringa, têm que voltar a fechar, para o líquido não evaporar nem sair. O nosso tecido serve para dar uma determinada característica ao silicone, que depois faz com que ele feche quando tira a seringa. Portanto, não está incorporado o tecido no silicone mas é autorizado no processo de fabrico do silicone», explicou o CEO.

A oferta da empresa incluiu ainda os tecidos para corrimões de escadas rolantes, para o sector mineiro, para sistemas de filtragem e mangueiras e correias de distribuição para o motor de automóveis, mas tem vindo a alargar-se. «Outro sector onde temos feito uma aposta é o da defesa/aeroespacial, muito focado nos EUA, onde temos tecidos para sistemas de vigilância aérea, aquilo que se chamam os zeppelins. Também fazemos tecidos para os coletes à prova de bala», enumerou.

Fora do que é o trabalho habitual da Mehler, a empresa está empenhada em desenvolver «produtos de resistência à temperatura e resistência ao fogo, que têm um conjunto de aplicações diferentes que podem ir desde a construção à aeronáutica e mesmo à indústria espacial», adiantou Alberto Tavares.