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Malhas ganham força no vestuário de proteção

A A. Sampaio, em parceria com a Fiação da Graça, o CITEVE e CeNTI, desenvolveu um conjunto de malhas, em fibras sintéticas e naturais, com características de proteção ao calor, à chama e ao arco elétrico, anti-estáticas e de alta visibilidade, para vestuário que protege e, ao mesmo tempo, mantém o utilizador confortável.

João Mendes [©Citeve]

O mercado de proteção individual não é novo para a A. Sampaio, como frisou João Mendes, administrador da A. Sampaio, na apresentação dos resultados deste projeto de investigação, integrado no Texboost. «Não começámos há um ano, começámos há cerca de oito anos e continuamos a aprender e a crescer», revelou.

Criar malhas para este segmento, contudo, implica superar alguns desafios. «Quando começámos este projeto, tivemos o cuidado de fazer um inquérito a vários players internacionais na área do vestuário de proteção para perceber quais eram os atributos que conferiram mais valor às suas peças», indicou. Os dois conceitos-chave mencionados foram, além do cumprimento de todas as normas de proteção, o conforto do utilizador e fácil manutenção.

«A questão de conforto abre caminho para as malhas, que são nitidamente mais confortáveis que o tecido, têm é o desafio de obedecer às mesmas características de resistência mecânica de durabilidade, que normalmente os tecidos conseguem alcançar», salientou o administrador da A. Sampaio. Em relação à limpeza, «existe um grande ramo de negócio no vestuário de trabalho, não propriamente no de proteção, que é o negócio das lavandarias industriais, que estão habituadas a fornecer o vestuário das empresas em regime de prestação de serviços», apontou João Mendes.

«Agora acontece que as empresas precisam não só do vestuário de trabalho, mas de vestuário de proteção e as empresas de lavandaria industrial precisam de ser capazes de tratar vestuário de proteção num ciclo de lavagem industrial, o que também é um desafio para as malhas», adiantou.

Dos fios à peça final

Para responder a estes desafios, a A. Sampaio, a Fiação da Graça, o CITEVE e CeNTI pretendiam obter «estruturas de malha que cumpram em simultâneo diferentes requisitos normativos, pela utilização de polímeros de elevada performance e também de misturas com lã» e que respondem «aos requisitos da lavagem industrial», explicou Graça Bonifácio, investigadora do CITEVE.

O projeto incluiu o desenvolvimento de fios por extrusão, com enfoque nos fios de PEI (polieterimidas), e de fios convencionais, entre os quais foram selecionados dois fios 100% lã com diferentes acabamentos e um fio 70% lã/30% modacrílica. «Os fios desenvolvidos foram tricotados num tear laboratorial, o Tricolab, para verificar a sua validação, em termos quer de tricotabilidade, quer da possibilidade de resistência às principais normas que queríamos seguir», acrescentou Graça Bonifácio.

Graça Bonifácio [©Citeve]
Em termos de malhas, foram desenvolvidas estruturas como piqués, felpas americanas, interlocks, interlocks de fantasia, felpas polares, um softshell, um felpo reversível e jerseys, com o objetivo de criar arquiteturas de malhas que «cumpram em simultâneo normas de proteção ao calor e chama, aos salpicos, aos produtos químicos líquidos, anti-estática, alta visibilidade, arco elétrico segundo normas europeias, e ainda à lavagem industrial», enumerou a investigadora do CITEVE.

O trabalho de investigação prosseguiu com a criação de peças de vestuário. Entre os protótipos desenvolvidos, Graça Bonifácio destacou um fato underwear que consegue passar num arco elétrico com um ATPV (Arch Thermal Performance Value) de 8 kcal, uma sweatshirt com alta visibilidade na cor laranja e uma swearshirt meia gola e fecho com carcela feita em felpo reversível com lã. «Todas estas peças não existem no mercado e são diferentes», garantiu a investigadora, sublinhando ainda que a maioria dos produtos que chegaram a protótipo «estão já numa fase final de testes ou já terminaram os seus testes e poderão ir para o mercado muito brevemente», sendo que «muitos deles foram apresentados em feiras e tiveram muito boa aceitação».

Prova igualmente de que «existe um mercado crescente para as malhas [no vestuário de proteção individual], acompanhado de um desafio crescente também para quem tem as fabricar e as desenvolve», como afirmou João Mendes.