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Malhas Ribeiro evolui de dentro para fora

Formar para depois internacionalizar é o objetivo da produtora de malhas fully fashion, fundada em 1992, agora gerida pela segunda geração e com a terceira já a dar cartas na empresa familiar.

Com 25 anos recém-cumpridos, a Malhas Ribeiro & Silva (ver Na rota da internacionalização), sediada em Vila Nova de Gaia, emprega 35 trabalhadores e produz cerca de 6 mil peças mensais. Lion of Porches, Concreto e Mike Davis são alguns dos clientes nacionais da especialista em vestuário de malha que, de olhos postos na internacionalização, quer primeiro formar os seus trabalhadores.

De acordo com o diretor-geral, António Ribeiro, o mercado nacional tem a maior representatividade e, fora de Portugal, a empresa tem clientes na Alemanha, Bélgica, Irlanda e Inglaterra, numa altura em que a exportação representa cerca de 45% da produção. «Estamos no começo. É um início que tem que ser organizado. Obriga a que preparemos a estrutura de dentro para fora. Eu não posso ir para fora sem primeiro ter dentro a estrutura com capacidade. Há uma série de ajustes que estamos a fazer internamente», explica ao Portugal Têxtil.

Para isso será necessário «delegar» e «profissionalizar» a empresa, admite. «Antes tínhamos aquele sistema de “temos que fazer tudo”. Depois perde-se muita coisa no caminho. Agora não, já começamos a pensar “há necessidade de por uma pessoa especifica neste trabalho outra naquele», afirma. A formação principal dos trabalhadores passará pelas chefias. «Como temos uma empresa muito bem cotada, temos pessoas a liderar muito profissionais e que sabem trabalhar. São essas pessoas que dão a melhor formação aos colaboradores que temos», revela. António Ribeiro lamenta que muita gente ainda faça formações «só para preencher horas e não é isso que queremos».

Além do mais, sente que há uma «lacuna muito grande» na formação. «Por exemplo, hoje é muito difícil termos programadores no mercado. Temos que pegar nós em miúdos que saem da escola, que nunca viram uma peça de malha, que não sabem nada e dar-lhes formação. Valermo-nos dos nossos fornecedores das máquinas e com eles combinar e agilizar algumas formações. Há uns 10 anos, havia turnos de miúdos que tinham equivalência do 12º, com cursos de 18 meses e tinham noções básicas», aponta.

2018, um ano normal

O diretor-geral da Malhas Ribeiro & Silva reconhece que 2016 e 2017 foram «atípicos, anos maus» e o cenário mudou este ano. «Foi uma altura de quebra de programadores e de gente para dar resposta aos desenvolvimentos. É preciso formar pessoas para criar um bom técnico ou um bom programador. Semeamos menos, colhemos menos. Tivemos dois anos complicados. No ano passado, a equipa já estava mais madura, mais coesa e conseguimos semear para um 2018 diferente», assegura.

Quanto ao volume de negócios, de 2017 para 2018, a empresa cresceu mais de 25%. «Estamos a falar de uma faturação que passou de 870 mil euros para cerca de 1 milhão e 100 mil euros», adianta.

Aumentar a produção e não perder qualidade

A empresa produz quantidades entre as 150 e as 300 peças por modelo. «Não são as mais produtivas, dão muito trabalho. É mais fácil trabalhar encomendas de duas ou três mil peças, como é lógico. O processo de preparar quatro ou cinco encomendas de 10 mil peças é uma coisa. Para ter 10 mil peças em encomendas de 300 são mais processos. Há mais trabalho, mas também consegue-se ter mais consistência na empresa. Temos mais versatilidade, mais opções», considera António Ribeiro.

A Malhas Ribeiro & Silva tem feito investimentos em novas máquinas, nomeadamente para jogos finos. Aumentar a capacidade de produção é uma das metas. «Para manter a empresa coesa temos de conseguir», sublinha. No futuro, a produtora de malhas fully fashion vai «continuar o trabalho» que está a desenvolver «de dentro para fora, corrigir os departamentos, prepará-los». «Dar-lhes a formação necessária e torná-los todos profissionais. Temos bons profissionais, mas é preciso mais. Esse é um objetivo. O outro é apostarmos nas feiras, apostarmos na internacionalização. Quando tivermos a estrutura capaz e bem montada, a ideia é escolhermos quatro ou cinco feiras por ano», conclui o diretor-geral.