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Mango de volta aos EUA com novas lojas

Depois de várias retalhistas de vestuário terem encerrado lojas no pico da pandemia de Covid-19, a Mango prepara-se para aumentar a presença física no mercado consumidor mais dominante, os EUA. Não obstante, a Índia é também alvo de esforços.

[©Sourcing Journal]

A retalhista espanhola de moda anunciou que, apesar do impacto da pandemia, vai abrir três lojas nos EUA durante o primeiro trimestre de 2021. Os centros comerciais a cargo do Simon Property Group são os locais escolhidos para os novos espaços, nomeadamente o Roosevelt Field em Long Island, o Menlo Park Mall em Edison, New Jersey, e o Dadeland Mall em Kendall, na Flórida. Deste modo, os EUA são a aposta da Mango, que vai disponibilizar as coleções para homem, mulher e criança nas lojas.

A escolha dos espaços selecionados foi feita estrategicamente com o objetivo de impulsionar a expansão da marca para o consumidor americano, revela o Simon Property Group em comunicado. «A Mango tem estado focada em aumentar o reconhecimento da marca nos EUA com investimentos em massa e na distribuição de e-commerce», afirma Daniel López, diretor de expansão e franchising da Mango, citado pelo Sourcing Journal. «O próximo passo lógico é a aceleração de nossa presença física, que se materializará com as nossas aberturas Simon», explica.

Sediada em Barcelona, a retalhista de moda tem uma vasta cadeia de lojas, que conta já com aproximadamente 220 espaços físicos em 110 país, totalizando cerca de 24,43 milhões de metros quadrados. No entanto, a pegada física nos EUA continua a ser limitada. Prova disso é o facto de a Mango ter tido uma presença significativa nas lojas JC Penny nos EUA, mas a empresa fechou as 450 MNG by Mango após o acordo de cinco anos com a cadeia americana de grandes armazéns ter terminado em 2016. A partir desse momento, a retalhista adotou uma abordagem cuidadosa para com este mercado, ainda que tenha estado à venda no website da Lord & Taylor antes desta ter entrado em insolvência, no início do ano passado.

A insígnia espanhola está nos EUA desde 2006 com vendas em múltiplos canais, e, em 2017, a retalhista renovou o único espaço independente em funcionamento, na Broadway, em Nova Iorque.

Em 2019, a Mango lançou, pela primeira vez, um website de comércio eletrónico com venda direta ao consumidor nos EUA e, uma vez mais, aumentou as operações de retalho ao introduzir produtos selecionados nos principais espaços da Macy’s.

Crescer e lucrar

Com todos os esforços de crescimento nos EUA, este não é o único mercado onde a retalhista pretende fazer crescer a presença física. A Índia é outra das apostas da Mango, que estabeleceu uma parceria com a Myntra para abrir 10 novas lojas em 29 regiões do país sul-asiático. A empresa indiana de moda tem subfranquias da Mango na Índia e vende a coleção da marca através do website Mango.com e do marketplace da Myntra.

[©Mango]
Em 2019, a Mango registou vendas de aproximadamente 2,4 mil milhões de euros, o que reflete um crescimento de 6,3%, dos quais 24% têm origem no canal online. Esse ano fiscal foi o primeiro, desde 2015, em que a retalhista conseguiu lucrar, encerrando com um lucro líquido de 21 milhões de euros.

Com toda a situação da Covid-19, é pouco provável que os números de 2020 se aproximem dos valores evidenciados em 2019. Apesar de não ter tecido expectativas sobre o total de vendas, a Mango aponta para uma previsão sólida nas vendas online do último ano fiscal. A suportar esta afirmação o anúncio da retalhista de que os valores da receita digital até outubro de 2020 estão 5% acima dos 564 milhões de euros verificados no ano anterior. Para o último ano fiscal, a Mango espera encerrá-lo com vendas no valor de 800 milhões de euros, um aumento anual de 40%.

A evolução do comércio eletrónico levou a Mango a delinear uma meta de mil milhões de euros de vendas online para 2021, uma vez que, em 2020, a retalhista somou mais de três milhões de novos clientes, dos quais 900 mil foram obtidos nos meses de confinamento, onde as vendas online deram um salto superior a 50%.