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Marcas cancelam encomendas à Ásia

A indústria têxtil e vestuário asiática está a lutar pela sobrevivência na sequência do impacto do novo coronavírus. Muitas fábricas estão em risco de fechar portas e o desemprego é já uma realidade.

Com o retalho de vestuário encerrado na Europa e nos EUA, devido ao confinamento imposto pela disseminação do Covid-19, várias marcas de moda cancelaram encomendas, no valor de milhões de dólares, às produtoras asiáticas, o que está a provocar o consequente fecho de fábricas e o despedimento de centenas de milhares de trabalhadores.

Depois de vários protestos públicos, algumas marcas ocidentais concordaram em pagar os pedidos de encomendas já enviados ou em produção. Contudo, houve também quem tivesse pedido descontos ou atrasado os pagamentos, deixando os fornecedores numa situação muito difícil.

Segundo avança a Reuters, algumas empresas ocidentais começam gradualmente a fazer novos pedidos, mas a sobrevivência a longo prazo das fábricas na Ásia e dos seus trabalhadores continua incerta.

A C&A, por exemplo, enviou uma carta aos fornecedores em março a cancelar todos os pedidos até junho. Mais tarde, recuou e prometeu pagar 93% dos pedidos concluídos ou em produção, aceitando negociar os restantes acordos.

Já a Next PLc, apesar de ter cancelado alguns pedidos, comprometeu-se a pagar as encomendas, que deviam deixar as fábricas a laborar até 10 de abril. A empresa continua, no entanto, a solicitar encomendas para o final do ano.

A gigante Walmart, por seu lado, deverá efetuar o pagamento das encomendas realizadas, com algumas exceções, mas está já a fazer novos pedidos a empresas no sul e sudeste asiático.

No caso da H&M, a empresa sueca garante que pagará as encomendas, mas reconhece que a crise está a impactar os planos, apesar de admitir que continua a realizar encomendas.

A dona da Zara assegura que pagará as encomendas finalizadas ou em produção, de acordo com o cronograma de pagamento acordado, mesmo que os produtos não possam para já ser enviados.

Por sua vez, a Mango comprometeu-se a pagar pelas encomendas já enviadas, mas atrasará o pagamento das que estão em produção. Apesar disso, a retalhista espanhola já realizou novas encomendas à China e ao Bangladesh.

A situação terá mesmo levado ao despedimento de milhares de trabalhadores, segundo o Workers Rights Consortium, um grupo defensor dos direitos dos trabalhadores.

O sector do vestuário era responsável pela exportação de mais de 670 mil milhões de dólares em roupa, sapatos e carteiras para toda a Europa, EUA e países asiáticos mais ricos, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, uma agência das Nações Unidas.