Início Notícias Marcas

Marcas com pés para andar

A Bo-Bell nasceu em 2001 e há dois anos que divide casa com a sua irmã mais nova, a Pikitri. Suportadas por um know-how acumulado em mais de 20 anos na industria, ambas as marcas se dedicam ao calçado infantil, mas com diferentes estratégias de mercado.

A marca Bo-Bell destina-se exclusivamente à venda para o mercado externo, distribuindo os produtos diretamente para cerca de 400 lojas localizadas no centro da Europa. A Holanda, Alemanha e Inglaterra destacam-se como os principais mercados da marca, cuja abordagem foi estabelecida através de vendedores locais. Não obstante, a Bo-Bell dispõe também de clientes dispersos pela Bélgica, França, Dinamarca, Suécia e Noruega.

De acordo com Fernando Silva, gestor das marcas, a Bo-Bell «é muito forte em rapaz, ao contrário das outras marcas todas que, normalmente, são fortes em menina. 50% da coleção é rapaz», comparação que também pode ser feita com a marca Pikitri que, por sua vez, tem mais oferta para menina.

Orientada para a distribuição online, a Pikitri oferece coleções que podem ser definidas como sendo «tendencionalmente mais clássicas, mais tradicionais, mais do conceito princesa», descreve o gestor ao Portugal Têxtil.

Contrariando a tendência da massificação das grandes marcas, Fernando Silva, utiliza como arma a personalização dos produtos para se diferenciar e captar a atenção dos lojistas e, consequentemente, dos consumidores.

«Esse trabalho de proximidade à loja e de ter esse efeito de personalização, permite-nos criar o nosso espaço. Ou seja, até as próprias lojas se diferenciam das lojas da porta ao lado e não têm exatamente os mesmos produtos», salienta o empresário.

No que diz respeito a investimentos, Fernando Silva divide a estratégia em duas frentes. A nível de produto e associado à construção da imagem, são investidos, «em média por ano, à volta de 100 mil euros, entre feiras, amostras, viagens, marketing digital, catálogos». A nível industrial são realizados «desenvolvimentos de formas, ensaios técnicos, máquinas novas, reparação de máquinas, substituição de máquinas, portanto, toda essa componente podemos estar a falar de mais 50 mil euros», aponta o gestor.

A forte aposta na qualidade dos materiais e a elevada preocupação com a funcionalidade dos moldes conferem à empresa uma posição estável e consolidada no mercado externo.

Os artigos são, praticamente, todos em pele à exceção de pequenos apontamentos que podem ser têxteis. Os materiais utilizados conferem leveza ao sapato e são construídos atendendo a duas «flexibilidades», «uma dura atrás para dar estabilidade ao pé, para ele não torcer, sentir-se confortável na vertical e bastante flexível à frente para fazer o movimento dos dedos», explica o empresário.

Com uma produção média anual de 140 mil pares de sapatos, Fernando Silva registou, este ano, um aumento de 20 a 40 mil pares, produzidos também com o auxilio de empresas subcontratadas.

Prevendo um crescimento de 30% no volume de negócios, consequência, essencialmente, de uma «parceria com um grande grupo alemão e com crescimentos marginais das marcas com quem trabalhamos», Fernando Silva prepara-se fechar o ano com as expetativas mais do que superadas.

«Manter isto permite-nos fazer outro tipo de investimentos quer nas marcas, quer a nível de produto, quer em maquinaria, para depois ter ganhos de eficiência e com rentabilidades melhores», revela ao Portugal Têxtil.

Colocando em perspetiva o futuro, a esperança é que a «Pikitri representasse cerca de 10% a 15% de negócios da companhia e a Bo-Bell 50%, queria dizer que ficava com 65% do volume de negócios» concentrado nas marcas próprias.