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Marcas e retalhistas de vestuário buscam soluções

Os retalhistas e as marcas de vestuário operam actualmente num ambiente global, repleto de constantes desafios, dificuldades e oportunidades. Na última década, a pressão deflacionária dos preços reduziu fortemente o preço médio unitário dos artigos de vestuário. Este facto, conjugado com o que muitos especialistas do sector consideram ser um retalho demasiado disperso e um aparente abrandamento das principais economias de consumo, levará muitos retalhistas e marcas de vestuário a enfrentar constantes quebras nas vendas, um indicador importante do seu sucesso. Impelida por estes desafios, a indústria do vestuário tem vindo a adoptar importantes medidas operacionais, no sentido de se manter competitiva a nível internacional, e estas medidas, por sua vez, estão a levantar novas questões, tanto ao nível da comunicação e coordenação, como em termos de novas oportunidades para melhorar os resultados económicos dos fabricantes, marcas e retalhistas, levando-os a procurar novas soluções tecnológicas. Uma das mudanças mais visíveis neste sector tem sido a continuada migração das unidades produtivas para os países com custos de produção mais baixos. Grandes grupos, como a Gap e a Liz Claiborne, tiveram um grande sucesso na redução dos custos dos artigos finais e do respectivo processo de fabrico, apesar dos custos adicionais com o transporte e a logística. No entanto, estas alterações implicam também um preço, traduzido em maiores dificuldades na gestão da fileira de fornecedores, muitas vezes dispersa por vários países e regiões do mundo. Muitos dos principais grupos de vestuário a nível mundial, que até agora se concentravam na produção de categorias de produtos básicos, começaram igualmente a implementar modelos de planeamento, fornecimento e gestão com alguns dos seus fornecedores selecionados. As informações provenientes destes modelos de produção são actualmente usadas, de forma sistemática e coordenada, na definição e planeamento dos produtos, desde o início do processo de produção, permitindo assim aos retalhistas e às marcas enfrentar os novos desafios e oportunidades criadas pelos mercados. As empresas que conseguirem implementer e aperfeiçoar eficazmente estes novos modelos de gestão da produção, conseguirão reduzir os seus custos, e ao mesmo tempo criar e distribuir artigos que satisfaçam os cada vez mais exigentes consumidores em todo o mundo. As áreas-chave para os retalhistas e fabricantes de vestuário são actualmente a capacidade e velocidade de entrega, a diferenciação dos produtos e marcas, e o próprio processo de desenvolvimento de produtos. Mesmo nos modelos de retalhos tradicionais, é evidente que uma maior velocidade de distribuição permite aos designers e revendedores criarem e testarem novas ideias, graus de procura e resistência aos preços, e posteriormente executarem tudo isso de uma forma mais eficaz. Os resultados desta abordagem são modas mais inovadoras, melhor previsão da procura e menor acumulação de stocks, permitindo assim margens de lucro mais atractivas. A diferenciação dos produtos é um objectivo mais complexo. Dada a enorme e diversificada oferta de modelos e marcas no retalho actual, torna-se ainda mais vital para as marcas e retalhistas criarem tecidos e texturas únicos, cores originais, com cortes e acabamentos que definam e identifiquem claramente as respectivas marcas e fabricantes. Assim, como é que as marcas conseguirão fazer isto? Primeiro, devem incorporar os inputs dos retalhistas e distribuidores no processo de desenvolvimento dos produtos, de forma a que as novas linhas e gamas a produzir venham ao encontro dos gostos e tendências dos mercados. Depois, devem também colaborar activamente, e desde muito cedo, com toda a cadeia global de produção, encontrando fornecedores exclusivos e de confiança, boas matérias-primas e acessórios e componentes que garantam artigos finais de elevada qualidade e design. O enfoque no processo de desenvolvimento de produtos implica uma viragem, na direcção das fases mais criativas e interactivas da fileira do têxtil e vestuário. Esta viragem deve ser assim levada a cabo de uma forma sistemática, definindo passos e procedimentos comuns, a par de práticas e normas de conduta para todos as etapas do processo de criação e desenvolvimento do produto, tanto no interior de cada empresa, como ao longo de toda a cadeia de produção, distribuição e venda, no sentido de obter uma maior eficácia e correspondentes lucros. Os resultados desta abordagem são produtos mais rapidamente desenvolvidos e que vêm ao encontro das expectativas e tendências dos retalhistas e consumidores. As marcas deverão assim concentrar-se de forma empenhada na fase de desenvolvimento de produtos, pois esta constitui a melhor oportunidade para reduzir os custos de base da produção. Este desenvolvimento de produto, quando articulado com planos financeiros e de gestão adequados, assegura que os artigos produzidos estão de acordo com os objectivos da empresa, minimizando assim os riscos da sobre-produção e das falhas nos stocks. O desenvolvimento e planeamento dos produtos desempenha assim um papel fulcral na obtenção e aperfeiçoamento dos padrões de qualidade, bem como na conquista dos objectivos económicos e financeiros dos fabricantes, marcas e retalhistas de vestuário. Ao mesmo tempo, esta grande atenção dada ao desenvolvimento de produtos conduz igualmente a resultados muito positivos em vários aspectos. Assim, entre as vantagens destes novos modelos de planeamento e gestão da produção de vestuário, contam-se a concepção de artigos que seguem as mais recentes tendências da moda, o que se revela especialmente importante para as cadeias de retalho. Nunca é de mais apontar o exemplo da Zara, que tem feito um trabalho fenomenal ao criar produtos de qualidade e design moderno, entregando-os atempadamente nos seus pontos de venda, assegurando desta forma elevados níveis de rentabilidade e de fidelização dos clientes. Com o crescimento e evolução das novas tecnologias baseadas na Internet, tem surgido toda uma nova gama de aplicações informáticas aplicadas ao desenvolvimento de produtos, permitindo assim uma melhor gestão de todo o processo de produção. As marcas e retalhistas que adoptarem estas novas tecnologias e modelos de gestão obterão fortes ganhos ao nível da eficácia, reduzindo igualmente os custos e aumentando os respectivos lucros.