Início Notícias Marcas

Marcas em linha

O aplicativo de mensagens japonês Line transformou-se numa plataforma de retalho única para os marketers que procuram construir uma relação pessoal e dinâmica com os jovens consumidores asiáticos.

O popular aplicativo móvel japonês Line é essencial, não apenas na sua funcionalidade básica, a transmissão de mensagens, mas também no entretenimento e merchandising. Especialmente reconhecido pelos personagens de cartoon que acompanham o aplicativo sob a forma de emojis animados, a Line conseguiu converter a sua popularidade num negócio diversificado e em crescimento. Após cinco anos do lançamento inicial, o aplicativo soma mais de 560 milhões de membros em todo o mundo, a sua maioria no Japão, Taiwan, Tailândia e Indonésia.

Cerca de 205 milhões acedem ao aplicativo mensalmente. Apesar de ter uma base de uso menor que o Whatsapp, com 700 milhões de utilizadores mensais, o Facebook Messenger, com 600 milhões, ou o WeChat, com 500 milhões, o aplicativo Line é o exemplo de uma plataforma ativamente usada por marketers na verificação de novos formatos e um dos mais bem-sucedidos na construção da sua própria marca global em paralelo. A Line detém lojas físicas no Japão, Seoul e Taipei, que se dedicam à venda de merchandising dos seus personagens animados principais, como Brown e Cony, e as suas lojas pop-up na China, Hong Kong e Kuala Lumpur têm desencadeado longas filas de espera, de clientes que desejam efetuar uma fotografia com as mascotes gigantes.

Como tem sido usada pelas marcas?
A parceria da Burberry com a Line, estabelecida este ano, foi uma das mais notáveis, iniciando-se com a transmissão em direto do desfile da coleção feminina da marca na Semana da Moda de Londres e um conjunto de stickers digitais que representavam as mascotes da Line, Cony e Brown, envergando o trench-coat e cachecol icónicos da casa britânica. Foram, também, disponibilizadas figuras animadas de individualidades reconhecidas da indústria, como Anna Wintour, Cara Delevingne, Mario Testino e Christopher Bailey, diretor criativo e CEO da marca britânica.

Esta colaboração permitiu estender o alcance da Burberry no continente asiático, particularmente no Japão, construindo uma relação mais pessoal com os clientes num aplicativo de mensagens com o qual já estão familiarizados. A maioria dos consumidores não visitam um site oficial das marcas e um número ainda menor efetua o download de uma aplicativo de marca. Esta iniciativa permitiu alcançar uma audiência maior, a um nível mais pessoal. Contrariamente às plataformas das redes sociais, que tipicamente promovem uma comunicação generalista, um aplicativo de mensagens como o Line é uma ferramenta privada e direcionada a um público restrito. A criação de contas oficiais por parte das marcas está sujeita ao pagamento de uma taxa, pelo que há muito menos ruído do que noutras plataformas abertas. A Uniqlo foi uma das primeiras marcas de vestuário a criar uma conta oficial no aplicativo Line e tem encorajado ativamente os usuários a interagirem com incentivos, tais como stickers exclusivos e coupons de desconto. Vale a pena ressalvar que, frequentemente, os stickers reuniram maior adesão que os coupons.

O que se segue?
Recentemente, a Line tem anunciado diversas extensões da sua marca. Serão introduzidas novas categorias de conteúdos, incluindo música e vídeos. Um novo serviço denominado [email protected], lançado em fevereiro, procura conectar as marcas aos consumidores através do acesso ao já existente serviço de chat, permitindo que as marcas comuniquem com os utilizadores do aplicativo num ambiente similar ao feeds de notícias de uma rede social. Este ano, o foco principal será o retalho, com o lançamento do serviço de pagamento móvel Line Pay no último outono e o serviço de compras online Line Mall no Japão e Line Mart em Taiwan. A Line lançou, também, a sua primeira loja multimarca em Tóquio em abril, “Line Collection”, na qual disponibiliza produtos de lifestyle criados por designers emergentes de todo o mundo.