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Marcas impulsionam PVH

A gigante do vestuário PVH Corporation antecipa um forte crescimento na Tommy Hilfiger e na Calvin Klein assim que os problemas com a integração da Warnaco no seu negócio estiverem resolvidos, revelou o grupo. Na assembleia anual de acionistas do PVH, que decorreu no passado dia 20 de junho, Emanuel Chirico, presidente do conselho de administração e CEO, afirmou que o foco da empresa nos últimos seis meses tem sido integrar o Warnaco, depois de ter adquirido a detentora da licença de denim e roupa interior da Calvin Klein em fevereiro por 2 mil milhões de dólares (1,54 mil milhões de euros). Embora continue a haver dificuldades, sobretudo com a transferência de inventário em excesso, Chirico afirmou que o processo «está quase concluído». A empresa pretende levar os sistemas operacionais da Warnaco para o nível dos da PVH e continuar a fazer investimentos nos sistemas de informação e no design. O CEO acrescentou que a empresa está a injetar dinheiro nas marcas e categorias de produto Warnaco Heritage, incluindo nos negócios Speedo e Warner. «Esses investimentos vão continuar à medida que avançamos e acreditamos que há eficiências significativas a serem ganhas do lado da Calvin Klein à medida que integramos as operações da Warnaco e mudamos de um modelo de licença para um modelo de operação direta sob um mesmo teto», explicou. Os comentários surgiram após ter sido anunciado, no início do mês, que os negócios da Warnaco e da Tommy Hilfiger impulsionaram um aumento de 59% no lucro subjacente do primeiro trimestre, que atingiu os 155,6 milhões de dólares, com o volume de negócios a aumentar 36% em comparação com o mesmo período do ano passado (ver PVH supera estimativas). A Calvin Klein e a Tommy Hilfiger deverão ser ainda responsáveis pela maior parte do crescimento no futuro, indicou Chirico. O negócio da Calvin Klein tem mais de 2.800 localizações de retalho em todo o mundo, com cerca de 2.000 a serem diretamente operadas pela empresa. «Vamos continuar a aumentar a nossa quota de mercado mundialmente mas estamos a intensificar o foco na América Latina e no norte da Europa, onde ainda não somos tão vastamente distribuído», anunciou o CEO da Calvin Klein, Paul Murry. Segundo Murry, a América Latina irá representar cerca de 10% do volume de negócios da marca este ano. A Calvin Klein está ainda a focar-se numa melhorada segmentação de produto e na gestão mais rigorosa do inventário. «Vemos também uma oportunidade de comércio eletrónico na região», referiu o CEO da Calvin Klein. Contudo, continua a haver dificuldades no mercado europeu, advertiu Paul Murry, e as margens operacionais estão com fracas performances. No entanto, acrescentou, «vemos 2013 como uma oportunidade para estabilizar o negócio e a nossa posição para crescer em 2014». A marca está a reavaliar o seu portefólio para ter a certeza que tem os produtos certos em todas as categorias, investindo na cadeia de aprovisionamento para melhorar a eficiência, a apresentação no retalho e alargar a distribuição. «Estamos a rever todas as categorias de negócio e a trabalhar diligentemente para elevar a marca e as portas de saída que não estão de acordo com a marca», sublinhou Murry. A Tommy Hilfiger, por seu lado, tem vindo a aumentar o seu volume de negócios desde 2005, altura em que faturava 2,5 mil milhões de dólares, e o grupo espera aumentar este valor para 8 mil milhões de euros nos próximos quatro anos. Fred Gehring, CEO do Tommy Hilfiger Group e de operações internacionais na PVH, considera que as reais oportunidades de crescimento para a expansão da marca estão em toda a Europa de Leste, assim como na Rússia e no Médio Oriente. Contudo, França é outro dos mercados importantes, apontou Gehring. «Estamos um pouco preocupados, obviamente, com a forma como a França se irá comportar economicamente, mas por enquanto, a nossa capacidade de crescer por dois dígitos no país é muito forte. E o mesmo se aplica ao Reino Unido», explicou. A marca tem elevadas expetativas para a sua joint-venture com a Inbrands, no Brasil, afirmando que no resto da América Central e do Sul, a licenciada American Sportswear está a fazer «um trabalho fantástico». Gehring revelou ainda que a subsidiária da Tommy Hilfiger no Japão, é «um dos mercados onde estamos a dar muito tempo e atenção para termos a certeza que encontramos o caminho certo». O volume de negócios da PVH para o ano fiscal de 2013 deverá atingir mais de 8 mil milhões de dólares, com as previsões da Tommy Hilfiger a apontarem para vendas de 3,4 mil milhões de dólares e as da Calvin Klein a atingir os 2,75 mil milhões de dólares em termos ajustados. Emanuel Chirico sublinhou que «estamos empenhados nas nossas iniciativas de responsabilidade social corporativa». As principais áreas são as comunidades onde a empresa opera e os respetivos funcionários, para garantir que tem uma cadeia de aprovisionamento e o meio ambiente “limpos”. Em comentário às recentes tragédias no Bangladesh, a PVH indicou que pretende manter a sua posição de liderança não apenas no país mas em todo o mundo. A empresa foi uma das primeiras a apoiar o acordo de segurança que pretende melhorar as condições nas fábricas de vestuário do Bangladesh. Chirico assegurou que a PVH vai continuar a verificar que as fábricas onde os seus artigos são produzidos «têm condições de segurança para as pessoas que lá trabalham, que os funcionários têm o direito a um sindicatos e que recebem um salário decente para sustentar as suas famílias e permitir o desenvolvimento económico desses países».