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Marcas investem em fibras biológicas regeneradas

Cinco das principais marcas de moda a nível global estão a reforçar a sua aposta na sustentabilidade ambiental através de uma parceria com uma biotecnológica que afirma que se pode transformar têxteis descartados em fibras regeneradas de origem biológica. Tudo isto sem descurar a qualidade do material original.

[©Sourcing Journal]

A H&M, Bestseller, PVH Corp. (Calvin Klein e Tommy Hilfiger), Wrangler e Patagonia estão a colaborar com a Infinited Fiber Company com o objetivo de desenvolver uma alternativa circular viável para o algodão virgem ao melhorar, em última instância, a capacidade de resposta perante a crescente procura por sustentabilidade do consumidor. A Suominen, fornecedora de não-tecidos para toalhitas está também a cooperar no modelo circular.

De acordo com a Infinited Fiber Company, esta tecnologia pode transformar qualquer material rico em celulose – roupa velha, cartão usado e até mesmo resíduos agrícolas como palha – numa fibra «única», biodegradável e reciclável com aspeto e toque natural. «Uma grande variedade de artigos de vestuário, como t-shirts, sweaters, vestidos, camisas e calças podem ser fabricados com a fibra», garante a empresa finlandesa.

As fibras acabadas são biodegradáveis, uma vez que as impurezas, como resíduos de plásticos, poliéster ou elastano são removidas no processo. Segundo a Infinited Fiber Company, as fibras podem ser usadas individualmente para têxteis circulares totalmente à base de resíduos ou até mesmo misturados com outras fibras relevantes no fabrico de fios, sendo que a meta do grupo é fazer com que 100% dos materiais sejam reciclados ou de origem sustentável até 2030.

As cinco marcas envolvidas trabalharam com a Infinited Fiber Company de alguma forma, avança o Sourcing Journal ao explicar que as insígnias fizeram testes de qualidade em vários tipos de têxteis como jersey simples e denim, entre outros, que foram criados, precisamente, a partir da fibra regenerada da empresa.

Comercialização acelerada

A Infinited Fiber Company refere que, cada uma das insígnias, encontrou as devidas fibras e têxteis testados para atender aos requisitos de qualidade da própria marca, deixando as fibras aptas para âmbito comercial.

[©Sourcing Journal]
«Tendo investido e trabalhado em estreita colaboração com a Infinited Fiber Company ao longo de vários anos, estamos incrivelmente entusiasmados com o desenvolvimento contínuo e o que isso significará, tanto para o grupo H&M como para a indústria no que diz respeito ao nosso impulso coletivo em direção a um futuro mais sustentável», afirma Erik Karlsson, gestor de investimentos no CO: LAB do grupo H&M. «Ver outras marcas a colaborar com a Infinited Fiber Company fala não só da qualidade do produto, mas também das suas possibilidades comerciais animadoras», aponta.

O grupo sueco ajudou a angariar 3,7 milhões de euros em financiamento para a Infinited Fiber Company em agosto de 2019, quando a empresa de biotecnologia estava a tentar pôr em prática o projeto experimental na Finlândia através do processo de produção de fibra.

Ao ter contribuído para o financiamento, Erik Karlsson explicou que a missão da Infinited Fiber Company está «perfeitamente alinhada com os objetivos de sustentabilidade do grupo H&M e com a própria visão de se tornarem totalmente circulares». O grupo de moda pretende ainda usar somente materiais sustentáveis ao longo da próxima década, evitando, assim, materiais virgens, desde o algodão aos sintéticos.

Nesta ótica, a H&M foi eleita a empresa de vestuário mais transparente em 250 marcas e retalhistas de moda a nível mundial. A marca está, desde 2019, a fazer todos os possíveis para ser transparente junto do consumidor em termos de materiais que integram os seus artigos.

Metas e soluções

Outras marcas que embarcaram neste projeto revelam-se otimistas com o trabalho da Infinited Fiber Company e com as parcerias que daí possam advir. Skjønning Jørgensen, gestora de investimentos e materiais sustentáveis na Bestseller, sublinha que a inovação da Infinited Fiber Company espelha «a ambição da cadeia dinamarquesa de se tornar circular no design».

«A matéria-prima é um resíduo e a tecnologia não usa grandes quantidades de água ou produtos químicos prejudiciais», destaca ao descrever a fibra de «qualidade comercial» como adequada para os «estilos que os clientes adoram».

Já a Patagonia, que evita a ideia «neutra em carbono» num esforço para se converter em «carbono-positiva», assegura que só vai usar materiais renováveis ou reciclados nos produtos até 2025. «A Infinited Fiber Company mostra à indústria que os resíduos de vestuário têm alto valor e são algo para ser utilizado», destaca Sarah Hayes, diretora de desenvolvimento de materiais da marca outdoor. «Esse resíduo não está apenas a ser reciclado, mas também está a ser usado para fazer uma nova fibra premium que pode ajudar a impulsionar a indústria em direção à circularidade», esclarece.

[©Flipboard]
A Wrangler, que tem sido transparente face aos objetivos de fornecer 100% algodão cultivado de forma sustentável até 2025, reduzir o uso de água para metade até 2030 e produzir os próprios jeans com algodão regenerado, está a apoiar totalmente a iniciativa da empresa.

«O desenvolvimento de soluções sustentáveis para a indústria de vestuário requer colaboração», assume Roian Atwood, diretor sénior de negócios sustentáveis internacionais da Wrangler. «Estamos orgulhosos por trabalhar com a Infinited Fiber Company e outras empresas do sector para ajudar a conduzir esta inovação ao uso comercial. Na Wrangler, estamos comprometidos em desenvolver a nossa cadeia de aprovisionamento para apoiar uma economia circular e o nosso trabalho com a Infinited Fiber Company é um passo em frente neste esforço», confessa.