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Março impulsiona exportações da ITV

O terceiro mês do ano marcou o regresso das exportações a números positivos, com um aumento de 26,5% face a março de 2020 e de cerca de 4% em comparação com o mesmo mês de 2019. O resultado permitiu atingir comparações positivas também no primeiro trimestre do ano para a indústria têxtil e vestuário.

As exportações de matérias têxteis atingiram 489,9 milhões de euros, o que representa mais 102,7 milhões de euros do que no mesmo mês do ano passado e mais 18,7 milhões de euros do que em março de 2019.

Na comparação com março de 2020, os aumentos foram praticamente transversais a todas as categorias – com exceção de pastas (ouates), feltros e falsos tecidos (-12,3%), tapetes e outros revestimentos para pavimentos, de matérias têxteis (-7,4%) e lã (-5,7%) –, em especial, entre as principais categorias, no vestuário e seus acessórios, de malha (+37,3%, equivalente a 57,4 milhões de euros).

Depois de em fevereiro ter já havido um abrandamento das quedas, estes resultados em março permitiram fechar o primeiro trimestre com números positivos para as exportações nacionais de têxteis e vestuário, com uma subida de 2,85% em comparação com o período homólogo de 2020, para 1,35 mil milhões de euros, mas não foi suficiente para retomar os números de 2019, ficando ainda 2,7% abaixo (equivalente a menos 37 milhões de euros).

«A contribuir para este bom resultado do trimestre, há a destacar o aumento verificado nas exportações de roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha, de camisolas e pulôveres de malha, de fatos, casacos, vestidos, saias, calças de malha, de uso feminino, de t-shirts e de artefactos têxteis confecionados, onde se encontram, entre outros, as máscaras têxteis», indica, em comunicado, Mário Jorge Machado, presidente da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

Entre janeiro e março, e face a 2020, as categorias com crescimentos maiores em termos absolutos foram o vestuário e seus acessórios, de malha (mais 49,3 milhões de euros ou mais 9,6%) e outros artefactos têxteis confecionados, onde se contabilizam a maior parte dos têxteis-lar e também as máscaras sociais, com mais 41,7 milhões de euros, representando uma subida de 27,8%.

Estas duas categorias revelam igualmente crescimento face aos valores do primeiro trimestre de 2019: +25,3% para os outros artefactos têxteis confecionados e +2,7% para o vestuário e seus acessórios, de malha.

Em comparação com o ano passado, as exportações de tecidos especiais (+11,1%), tecidos de malha (+7%), tecidos impregnados, revestidos, recobertos ou estratificados (+6,2%) e algodão (+4,9%) estão igualmente a crescer.

Em sentido contrário, a queda mais acentuada é sentida no vestuário e seus acessórios, exceto de malha, com um valor registado entre janeiro e março de 2021 de 185,96 milhões de euros, o que demonstra uma descida de 21,3% face a 2020 (equivalente a menos 50,4 milhões de euros) e de 28,4% face a 2019 (representando uma perda de 73,7 milhões de euros).

Espanha em queda, França em alta

Em termos geográficos, a maior parte dos 10 principais destinos de exportação regressou ao verde no primeiro trimestre do ano.

A exceção foi Espanha, que se mantém no vermelho, com uma descida de 11% face ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros três meses de 2021, os espanhóis compraram menos 39,3 milhões de euros à indústria têxtil e vestuário portuguesa.

Para além de Espanha, apenas a Bélgica – entre estes 10 principais mercados – registou uma queda, de 6,4%, equivalente a menos 1,88 milhões de euros.

Estas quedas foram compensadas por um aumento da procura por parte dos franceses, que compraram mais 33 milhões de euros no primeiro trimestre (+18,6% do que no mesmo período do ano passado), dos holandeses (+15,3%, equivalente a mais 8,7 milhões de euros), italianos (+9,9%, ou mais 7,85 milhões de euros), americanos (+8,9%, representando mais 7,9 milhões de euros) e dinamarqueses (mais 25,1%, representando um acréscimo de 5,6 milhões de euros).

Importações baixam

De acordo com a ATP, as importações de têxteis e vestuário no primeiro trimestre do ano registaram uma quebra de 21%, para 806 milhões de euros, «afetando quer os têxteis, quer o vestuário, excetuando-se a categoria de produtos onde se encontram os falsos tecidos que aumentaram o valor importado em 14% (com um acréscimo de 2,5 milhões de euros) e a categoria de produtos artefactos têxteis confecionados, onde se encontram as máscaras sociais, que registou um aumento de 110%, equivalente a um acréscimo de 21,5 milhões de euros».

Em relação apenas ao mês de março há, contudo, uma subida de algumas matérias-primas têxteis, como outras fibras têxteis vegetais (+52%) e fibras sintéticas ou artificiais descontínuas (+16%), o que, de acordo com Mário Jorge Machado, traduz «sinais de maior dinamismo na atividade da indústria».