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Mário de Carvalho sem caixas fechadas

O stylist português lançou a primeira coleção cápsula como uma «ode ao amor e à liberdade» que fazem também parte do conceito da marca. A concretização «quiçá do sonho mais antigo de todos» dá agora forma à “No Gender by Mário de Carvalho” que veste, sobretudo, uma causa.

Para celebrar o 55.º aniversário de casamento dos avós maternos, Mário de Carvalho criou uma linha de vestuário sem género que se rege por valores como a vida, igualdade e amor. «Esta primeira versão “cápsula” – a Odete – conta com cinco peças que qualquer pessoa, de qualquer sexo pode vestir. Porque acredito que toda a gente pode vestir tudo. É uma ode ao amor e à liberdade. Valores que me foram passados pela minha avó Odete», revela ao Portugal Têxtil.

Ainda que tenha um nome feminino, a coleção Odete é uma homenagem à avó do stylist que o fez acreditar que todos somos iguais, dando, assim, origem a uma marca sem «rótulos nem caixas fechadas». «É inspirada nos meus valores, naquilo que sempre ouvi por casa: “faças o que fizeres, o que importa é que sejas feliz”. E o mesmo se aplica à roupa, “uses o que usares, o que importa é que sejas/estejas feliz”», afirma Mário de Carvalho.

O stylist multiplica-se em atividades que vão desde vestir personalidades públicas portuguesas e apresentar um programa da TV Globo a assumir uma rubrica no portal da revista Activa e no Curto-Circuito. E, agora, concretiza o sonho desta coleção cápsula. «É uma ideia antiga. Quiçá seja mesmo o sonho mais antigo de todos. Mas que vi ser exequível quando me tornei agenciado da Glam. Trocámos ideias, contratei um designer gráfico, escolhi tudo o que queria e como queria – “et voilá” nasceu a Odete», explica.

Mais do que vestir pessoas, a No Gender by Mário de Carvalho veste um movimento sem género nem idade. «Não acredito em roupa de meninos ou roupa de meninas. Acredito, e porque trabalho com ela diariamente, em roupa – usa-a quem quer. E foi isso que quis passar para a minha marca. Daí o logótipo ser algo tão presente, para que não se esqueçam que estão a envergar uma causa, um movimento», sublinha. «[A marca] é para quem vê, quer e compra. É para quem se identifica, não só com o meu nome, também ele latente nas peças, mas como com a causa», assegura.

A Odete é constituída por um total de cinco peças. Duas t-shirts, um jumper, um hoodie e ainda uma mala, com «todas as peças 100% de algodão e a tote bag 100% reciclada», aponta. «Toda a produção é feita em Portugal. Dividindo-se entre uma fábrica no Norte e uma loja de estampagens de muita qualidade, onde outros influencers já produziram material, a Azul Marinho em Almada», adianta Mário de Carvalho.

Realidade «apocalítica»

A coleção sem género está apenas à venda no Instagram do stylist, que lançou os artigos quatro dia antes de ser decretado o período de isolamento social. «Havia toda uma estratégia muito bem delineada pela minha agente, mas que caiu por terra por causa dos tempos que vivemos. Portanto, neste momento, a coleção vive apenas de e nas redes sociais», esclarece. «Sabia que vinha daí algo mau, jamais previ que fosse nestas dimensões. E, portanto, a Odete, que para mim é sinónimo de amor, nasce numa época de absoluta e necessária resiliência. A Odete não conhece outra realidade que não esta», acrescenta.

Apesar da fase «apocalítica» provocada pelo vírus, a aceitação do produto tem sido «ótima», admite. «Atendendo à situação atual eu não me posso arriscar a dizer que as vendas estão más. Tenho algumas peças já quase esgotadas. As pessoas gabam muito a qualidade e o conforto das peças, que foi uma coisa que quis assegurar desde início mesmo que isso envolvesse um maior custo de produção», reconhece.

Próximas batalhas

Entre setembro e outubro está previsto o lançamento de uma nova coleção, batizada Mãe que, além de trazer mais cinco peças e ser um complemento à Odete, pretende ser também um tributo. «Quero que o meu trabalho tenha a capacidade de homenagear todos aqueles que sempre estiveram comigo ao longo destes últimos 11 anos de trabalho na área», assume.

Por agora, para Mário de Carvalho, a meta é continuar a vestir o movimento sem género em pessoas de todas as idades de norte a sul do país. «Esse é um check que já posso fazer na minha lista, já aconteceu», afiança.

A longo prazo, o objetivo é mesmo «dizer às pessoas, sem precisar de falar, que não há género na roupa», uma vez que «as melhores batalhas são sempre aquelas que se vencem sem mortos nem feridos», destaca o stylist.