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Marita Moreno: da cortiça à casca de banana

A marca de acessórios de moda tem dados passos largos no que toca à exploração de novas matérias-primas. A internacionalização é outro dos desígnios da Marita Moreno, que está prestes a chegar ao mercado espanhol e pretende, no futuro, vender no norte da Europa e no Canadá.

É já reconhecido o carácter internacional e sustentável da Marita Moreno. Com novos mercados em vista, a insígnia nacional não para de apostar na inovação. Prova disso é a mais recente coleção, de primavera-verão, inspirada em princesas do mundo televisivo e cinematográfico. «Todos os sapatos têm nomes de princesas ou, digamos, personagens, como a Ermione, Leia ou Denerys. Baseei-me no empoderamento feminino e nas personagens de filmes e séries que, de alguma forma, são marcantes», revela a fundadora da marca, Marita Setas Ferro, ao Portugal Têxtil.

Para dar forma às criações, a criadora explorou materiais como o biocouro, «que não tem quaisquer elementos de metais pesados, por isso, quando é enterrado ou é queimado, não liberta metais pesados para atmosfera nem para a terra», explica. Além disso, utiliza o Piñatex, uma alternativa ao couro, derivada das folhas do ananás, «que neste momento já está como uma fibra segura o suficiente para fazer sapatos», assegura.

Os artigos de Marita Moreno incluem plataformas de madeira ou de cortiça, têxteis artesanais tecidos só com o Cork-a-Tex e borracha natural, «que tem um mínimo componente químico, porque se for apenas borracha natural, derrete no verão e quebra no inverno e a ideia é que o calçado dure», afirma a criadora.

Marita Setas Ferro, com background em escultura, não dá tréguas à inovação e está atualmente a explorar a possibilidade de utilizar matérias-primas como placas de fibra de casca de banana (produzidas em Portugal pela designer portuguesa Mónica Gonçalves), placas de fibra de resíduos agrícolas (que usam a água desperdiçada das plantações de coco) e fibras produzidas a partir do tronco de banana.

A proximidade também é sustentável e, por isso, a Marita Moreno produz maioritariamente em Portugal e utiliza têxteis tradicionais e artesanais nacionais, do Minho, Açores e Alentejo. «Somos um país muito pequenino. Se produzirmos tudo em Portugal, se tivermos produtos portugueses, já estamos a produzir localmente e a encontrar os nossos fornecedores localmente», defende.

A caminhar rumo a Espanha

Também na internacionalização a insígnia de calçado tem dado passos gigantes, marcando presença em países como Alemanha, França ou EUA. O próximo destino será o país vizinho, Espanha, nomeadamente através da participação no salão de moda Momad. «Vou entrar agora no mercado espanhol. Está, neste momento, com grande apetência para o mercado sustentável», justifica a criadora da marca.

No futuro, a marca quer também chegar ao norte da Europa e ao Canadá. «O norte da Europa tem sido muito difícil. Têm muito poucas lojas multimarca e isso não me permite a penetração. A marca é muito pequenina e, como faço edições limitadas, tenho que ir sempre para lojas multimarca», admite.

Marita Moreno já marcou presença em feiras como a Eco Fashion Week, na Austrália, ou a Neonyt, na Alemanha. Através do apoio do programa Portugal 2020, a insígnia de moda conseguiu internacionalizar-se. «Quando vendia apenas cá, comecei a perceber que eram sempre os estrangeiros que me compravam os sapatos e isso levou a que apostasse no processo de internacionalização para poder, então, ir de encontro aos meus clientes», conta.

Com loja própria online, a maioria das vendas através de comércio eletrónico acontece, no entanto, em plataformas como a Overcube ou a Mintysquare. «Vendo bastante online. Não propriamente na minha loja, porque é uma marca muito pequenina e muito recente», adianta.

Os artigos de Marita Moreno estão em várias lojas nacionais, como a CRU no Porto, a 39a em Lisboa ou a Xancas em Bragança e está prestes a chegar a lojas como Fair Bazaar, no Príncipe Real, em Lisboa, e a cidades como Algarve e Braga.