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Marizé quer alargar fronteiras

A celebrar 40 anos de atividade, a produtora de roupa de cama e mesa iniciou o ano com a estreia na Heimtextil, numa altura em que pretende chegar a novas latitudes. A sustentabilidade é outras das preocupações da Marizé, que exporta 100% do que produz.

A empresa, com sede em Gandarela, em Guimarães, encetou a produção pelas fraldas de bebé, revela a CEO, Maria José Faria. «Começámos com fraldas de tecido de 100% algodão, de boa qualidade. Quando se introduziram as fraldas descartáveis, percebemos rapidamente que não era esse o caminho. Começamos a enveredar pelo têxtil-lar e depressa começamos também a enveredar pelas exportações», explica ao Portugal Têxtil.

EUA, Canadá, Inglaterra ou Austrália são, atualmente, os principais mercados da Marizé, que possui um efetivo de 106 trabalhadores e unidades de tecelagem e confeção dentro de portas. «Em Espanha só temos um cliente: o grupo Inditex, do qual já estivemos mais dependentes, porque alargamos mercados», indica Maria José Faria.

Há, porém, dois mercados que preocupam a empresária, tendo em conta o contexto político. «Ainda não sabemos bem o que vai acontecer com a Inglaterra e os EUA. Não deixa de ser um Brexit e um Trump do outro lado do Atlântico. Esses dois mercados são preocupantes, porque não nos dão segurança em termos futuro», afirma. Prova disso foi o «ligeiro abrandamento» sentido no mercado inglês, ainda no final de 2018. Contudo, os restantes mercados «conseguiram absorver [a quebra] e atingimos os 10 milhões de euros de faturação», assegura.

Chegar a mais mercados é o objetivo da especialista em roupa de cama (sacos de edredão, lençóis, almofadas e colchas) e mesa (atoalhados), o que levou a Marizé a estrear-se na feira de têxteis-lar Heimtextil, que decorreu de 8 a 11 de janeiro. Agora, a aposta poderá passar pelo continente asiático. «É a primeira vez que expomos [numa feira] e daí ser uma oportunidade para obter contactos para o alargamento para novos mercados. Queremos novos mercados porque também sabemos que o nosso produto não é um produto que penetre em qualquer mercado facilmente. Somos três irmãs e começa a entrar a nova geração, que está a dar um empurrão nesse sentido», conta a CEO.

Sustentabilidade, uma preocupação antiga

A Marizé navega na onda verde, uma das tendências fortes no sector. «A ecologia é uma preocupação que já vem detrás, mas a nova geração ainda nos impõe mais esse sentido de responsabilidade», reconhece Maria José Faria.

Atualmente com a certificação OEKTO-TEX e Better Cotton Initiative (BCI), «a preocupação vai desde a escolha da matéria-prima. Garantimos que os nossos fornecedores cumprem todas as regulamentações. Internamente, também temos os nossos processos de reciclagem e o devido tratamento», aponta a empresária.

Nesse sentido, a produtora de têxteis-lar adquiriu, recentemente, teares «mais rápidos, mais eficientes, que consomem menos energia. Também preocupados com a ecologia, fizemos investimentos em painéis solares fotovoltaicos», acrescenta a CEO da Marizé.