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Marjomotex derruba fronteiras

À frente de uma empresa que tem tantos anos como ela, Mónica Afonso está a enfrentar os novos desafios do mercado com o investimento na internacionalização e nas redes sociais para consolidar o negócio da Marjomotex, não só em Portugal mas, sobretudo, no mundo.

Em 1977, Jacinto Silva, juntamente com a esposa, Fátima Afonso, criou a Marjomotex – a junção das iniciais dos nomes dos três filhos do casal, Marco, José e Mónica com o vocábulo “tex”, de têxtil – que espelha o cariz familiar que a empresa ainda hoje mantém, incluindo com os cerca de 40 trabalhadores que emprega. «Sei o nome de todas as pessoas que trabalham comigo, desde pequenina que estou com elas», revelou Mónica Afonso ao Jornal Têxtil, um artigo publicado na edição de novembro de 2016. «As nossas colaboradoras, sobretudo as mais velhas, têm muito carinho pela minha família», confessou.

Especializada na confeção de calças, com uma produção que varia entre 800 e 1.100 peças por dia, 30% da qual direcionada para clientes internacionais, num rol que vai da Zara à Moschino, passando pela Carolina Herrera e o El Corte Inglés, a única variável que não muda na empresa é a qualidade, garantiu Mónica Afonso. «Independentemente da gama ser média ou alta, a qualidade está sempre lá. Não sabemos fazer mal», garantiu a diretora-geral.

É com esse espírito e know-how que a Marjomotex decidiu atacar os mercados externos, num projeto apoiado pelo Portugal 2020 que inclui investidas em oito países, com destaque para a Holanda, Reino Unido, França e Espanha. Os EUA são outro país a conquistar, com uma primeira abordagem agendada para este ano. «Fui a uma conferência onde me disseram “quem exporta para os EUA consegue exportar para qualquer parte do mundo”, por isso vamos lá espreitar», explicou Mónica Afonso.

Também as redes sociais são uma forte aposta para chegar mais longe. «Tenho de aparecer ou o cliente não sabe que estou cá», afirmou a diretora-geral da Marjomotex, adiantando que a atividade online tem canalizado «vários pedidos de informação e de vários países. Antes conseguíamos com o passa a palavra, os clientes eram quase para toda a vida. Mas hoje não, agora as quantidades são pequeninas, têm de ser mais clientes e às vezes vão mudando. Tive de me adaptar», admitiu, acrescentando que «antes trabalhava mais a feitio, agora já faço private label. Eu quero chegar às marcas, para elas estarem preocupadas com os canais de distribuição, com os catálogos, com as vendas; pensarem as peças e eu tornar os sonhos delas realidade, fazendo as produções».

Dentro de Portugal, os sonhos de Mónica Afonso passam pela eventual criação de uma marca própria que permita divulgar os serviços da empresa e, num futuro mais próximo, pela mudança de instalações. «É de raiz e vai no seguimento dos mercados que queremos abordar. Eu queria uma unidade sustentável – vou tentar fazer o estudo para colocar, por exemplo, painéis solares, para efetuar o aproveitamento das águas,… Para ter valor, a empresa deve estar bem posicionada no mercado», revelou. «A minha ideia não é propriamente uma empresa muito grande, com muitos lucros, mas sim uma empresa sólida, onde os trabalhadores se sintam bem», resumiu.