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Marks & Spencer com plano de reestruturação

De acordo com o divulgado pelo Público, a Marks & Spencer vai concentrar as suas actividades no retalho têxtil e alimentar no âmbito de um plano de reestruturação que prevê o corte de 650 empregos, o encerramento de algumas das 375 lojas da cadeia e a venda das divisões de serviços financeiros e mobiliário. O anúncio foi feito no dia 12 de Julho pelo recém-nomeado presidente executivo da empresa, Stuart Rose, que tenta, com estas medidas, resistir às ofertas de compra por parte do multimilionário Philip Green.

O ataque de Green ocorre num contexto menos favorável para a M&S com as vendas do grupo a descerem 2,8 por cento face ao ano anterior, devido aos recuos de 3,7 por cento no sector não alimentar e 1,5 por cento no ramo alimentar. Com o plano ontem divulgado Rose quer mostrar alternativas que evitem a compra do grupo por parte do multi-milionário que viu rejeitada pela administração a sua terceira oferta a rondar os seis euros por acção, o que valoriza a empresa num total de 13,65 mil milhões de euros. Numa tentativa clara de convencer os accionistas a não venderem, o novo homem forte da M&S propõe-se pagar entre 2,5 mil milhões de euros e 3,45 mil milhões de euros em dividendos. A estratégia para aumentar a remuneração dos accionistas passa por cortes nos custos e a concentração da actividade do grupo no retalho têxtil e alimentar. A aposta no têxtil será reforçada através da compra da marca de vestuário Per Una, pelo valor de 190 milhões de euros. A loja de mobiliário Lifestore, em Gateshead, será vendida, o mesmo sucedendo com a Money, empresa de serviços financeiros. Esta sociedade será comprada pelo HSBC Bank por 1.143 milhões de euros, instituição com quem a M&S estabelecerá uma parceria. Quanto aos custos, os planos de Rose incluem a redução de cerca de 650 postos de trabalho e o encerramento de algumas das 375 lojas do grupo que deverá gerar poupanças da ordem dos 380 milhões de euros já este ano. Segundo as previsões, o redimensionamento da rede de distribuição da empresa vai permitir uma poupança adicional de 740 milhões de euros em 2006/07.

A política agora adoptada baseia-se, segundo Stuart Rose, na “especialização das principais actividades comerciais, com ênfase em oferecer produtos de qualidade aos 25 milhões de clientes”. Em declarações à BBC, o gestor precisou que “a M&S vai concentrar-se nos 11 milhões de clientes nucleares, a maioria mulheres dos 35 aos 55 anos”. “O nosso objectivo é devolver a Marks & Spencer aos nossos clientes”, resume o presidente-executivo. Para o conseguir, serão investidos 600 milhões de euros, por ano, na remodelação das lojas e será lançada uma nova campanha da marca. “A nossa marca é uma das mais fortes do Reino Unido”, garante a companhia. “Contudo é vista como formal, de classe média e aborrecida”, reconhece.

Com este plano, Stuart Rose “tenta convencer os investidores de que o plano de reestruturação vai aumentar o valor do grupo para além daquele que Green oferece. Na semana passada a administração liderada por Rose rejeitou uma oferta de aquisição da companhia por parte de Philip Green com o argumento de que a proposta do multi-milionário era “significativamente abaixo do valor” do grupo. O novo chefe executivo da Marks & Spencer (M&S) tornou-se famoso no mundo dos negócios pela forma como recuperou o grupo Arcadia de uma situação complicada e já garantiu que não foi para a M&S “para vender a companhia”. Após o anúncio do pacote de medidas por parte da nova direcção da Marks & Spencer, uma porta-voz de Green garantiu que o magnata vai esperar para ver qual a reacção do mercado ao plano apresentado. No entanto, em declarações à Sky News publicadas no sítio da cadeia televisiva, o empresário disse “estar determinado a seguir em frente com os seus planos de adquirir a M&S, apesar da rejeição das três ofertas realizadas”.