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Maroc in Mode atrai negócios

A feira marroquina recebeu cerca de mil profissionais de diversos países, sobretudo europeus, em busca de fornecedores de tecidos, malhas, acessórios e serviços de confeção. Entre os expositores estiveram quatro empresas portuguesas, empenhadas em trazerem bons contactos e afirmarem a sua posição no mercado.

Feliciano Azevedo (João & Feliciano)

Durante dois dias, todos os caminhos levaram a Marraquexe, para mais uma edição da Maroc in Mode. A feira marroquina dedicada à confeção de moda e ao sourcing acolheu, segundo a organização, a cargo da AMITH – Association Marocaine des Industries du Textile et de l’Habillement, 1.000 visitantes de 16 países, incluindo espanhóis, franceses, portugueses, italianos, britânicos e alemães.

Na primeira vez que visitou a feira, Peter Ressel, diretor de produção e qualidade da alemã Création Gross, estava à procura de produtores de casualwear «e encontrámos fornecedores interessantes». A retalhista vai «trabalhar com duas empresas agora e em breve vamos começar com calças chino e expandir para casacos de inverno na próxima estação», indicou Ressel. A produção em Marrocos «oferece um bom rácio preço/performance, embora ainda tenhamos de encontrar opções de transporte mais baratas. Com Marrocos, esperamos ter um país que possa produzir casualwear para nós a longo prazo», asseverou o diretor de produção e qualidade da alemã Création Gross.

Khadija Torast e Siham Boudra (Chika’s Design)

A especialização do sector não esteve ilustrada somente pelo layout da feira, mas também como estratégia priorizada por várias empresas. «Começámos com pequenas séries de peças confecionadas para o mercado local, em 2010, mas o nosso objetivo sempre foi aumentar a produção, especializando-nos em camisas. Hoje empregamos cerca de 250 pessoas», referiu, ao Portugal Têxtil, Siham Boudra, diretora-geral da Chika’s Design, que tem como principais clientes o grupo espanhol Inditex e o grupo português Polopique.

Sustentabilidade é prioridade

A sustentabilidade foi também um dos grandes temas da feira. Além da procura das marcas, os expositores colocaram em destaque as suas diferentes certificações, da BSCI (Business Social Compliance Initiative) ao GOTS (Global Organic Textile Standard). «Há uma crescente procura por produção sustentável. Assumimos que, a partir de 2020, quase todas as empresas vão exigir uma produção sustentável. É por isso que estamos a investir em novas máquinas e a mudar todos os nossos processos de utilização de químicos para tecnologia laser», explicou Hind Raki, diretor comercial da Crossing, uma empresa de denim sediada em Casablanca.

Zakaria Ghattas e Fouzia Fourtassi (Blue Fingers)

«Negócios sustentáveis e responsáveis sempre foram uma prioridade para nós», assegurou Fouzia Fourtassi, chefe de produto da Blue Fingers/New Wash Group. «O mercado está complicado na sequência da retração do consumo na Europa, o que pode beneficiar a ITV marroquina, na medida em que as pessoas procuram a transparência industrial, a proximidade e a sustentabilidade, e Marrocos pode oferecer tudo isso», afirmou, ao Portugal Têxtil, Zakaria Ghattas, diretor comercial do grupo marroquino especializado em denim e com um efetivo de 600 trabalhadores.

Petra Meierjohann, gestora de produto do Görgens Group, uma retalhista alemã multimarca com mais de 100 pontos de venda, concorda e, na segunda visita à Maroc in Mode, procurou parceiros nesta área. «Vim à procura de produtores sustentáveis de jeans, camisas e camisolas de senhora para a nossa marca própria», revelou ao Portugal Têxtil, adiantando que estabeleceu «contactos com algumas empresas interessantes nos segmentos de malha circular e jeans».

Portugueses afirmam-se em Marrocos

Dina Alemão (Teamstone)

A Teamstone, uma das quatro empresas portuguesas entre os 140 expositores presentes, também apostou no seu lado “verde”. Com uma carteira de clientes, e de diversos contactos, já relevante em Marrocos, a empresa, que conhece bem o mercado, apresentou os seus felpos e também os fios da Arifil e o fio com algodão reciclado e orgânico Recover da Hilaturas Ferre, que representa. «Temos um cliente muito bom em Marrocos há muitos anos», adiantou Dina Alemão, administradora da Teamstone, que tem sido bem sucedida a introduzir os seus têxteis-lar neste mercado. «A persistência é muito importante e a presença constante também», destacou. «Fazer esta feira foi mais por uma questão de prestígio, de mostrar aqui a toda a gente a nossa oferta. Convidamos todos os nossos clientes e os contactos que desenvolvemos e eles vieram», afirmou a administradora, que contou ainda com «contactos europeus».

Nuno Castro Dina Sousa Luís Lima (João António Lima Malhas)

«O nosso objetivo na feira é acompanhar as confeções. Em Portugal, as confeções estão a deixar de ser competitivas e o negócio está a mover-se para o Norte de África», reconheceu, por seu lado, Feliciano Azevedo, CEO da João & Feliciano, produtora de tecidos. A oferta concentrou-se em «produto de preço mais baixo para o mercado local», a que se somou «a nossa coleção normal para o mercado de exportação», avançou o CEO da especialista em tecidos tintos em fio, que exporta diretamente 50% da produção.

Carlos Vaz Joaquim Silva e Cláudio Ribeiro (Adifafe)

Já a João António Lima Malhas recebeu «todo o tipo de clientes: marroquinos, italianos, alemães…», enumerou Luís Lima, enquanto a Adifafe, especialista em fechos e outros acessórios têxteis, conta com «clientes diretos e indiretos em Marrocos – temos clientes que, não sendo marroquinos, estão aqui a produzir», esclareceu o CEO Joaquim Silva. Sobre a primeira presença na Maroc in Mode, que foi também a estreia numa feira internacional, «está a ser muito positiva para nós. Tivemos clientes diretos para comprar e muitas pessoas que nos querem representar, o que é outra parte importante», assumiu.

Presente esteve também o Citeve com uma mostra “made in Portugal”. «Trouxemos parte da última edição do showcase, porque não temos o mesmo espaço. A lógica foi trazer materiais e acessórios que acreditamos que se venderão cá», elucidou Cristina Castro, relações públicas do centro tecnológico.

Cristina Castro (Citeve)