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Marques’Almeida dá segunda vida à roupa

Depois de conquistada a sua posição no mercado internacional enquanto marca de moda de autor irreverente, a Marques’Almeida prepara-se para se lançar em definitivo no mercado online, adicionando ao portefólio o vestuário em segunda mão.

Paulo Almeida e Marta Marques

Presente em quase 100 pontos de venda, distribuídos pelo mundo inteiro, assim como em plataformas multimarca online, onde se incluem Net-a-Porter, Matches, Browns e Farfetch, o duo Marta Marques e Paulo Almeida está a planear lançar a sua própria loja online restruturada até ao final do ano, acrescentando a oferta de vestuário em segunda mão. «Já temos [loja online] mas está a ser refeita para incluir não só venda das coleções, como também a venda e aluguer de artigos em segunda mão, precisamente por causa da questão da sustentabilidade», revela Marta Marques ao Portugal Têxtil.

De facto, a sustentabilidade é uma das principais mensagens que a Marques’Almeida quer transmitir à indústria da moda. «A nossa responsabilidade do ponto de vista da sustentabilidade e da ecologia é o que nos move mais neste momento», assegura a designer. A coleção outono-inverno 2020/2021 terá «mais de 80% a 90% de materiais reciclados ou de fontes sustentáveis», indica Marta Marques, acrescentando que «estamos a fazer uma análise da nossa pegada de carbono enquanto empresa e perceber como a podemos reduzir».

Grito de empoderamento

O duo acredita que o «sucesso coerente» da marca assenta nas «raparigas, nas vidas delas, no que elas vestem no quotidiano, nas fotografias que elas postam no Instagram – mais do que uma noção fantasiosa e “glamorizada” de moda». A Marques’Almeida procura transmitir, à indústria da moda, uma mensagem que prioriza a diversidade e a inclusividade, tentando desviar-se de «uma versão de moda muito desligada da realidade», explica a dupla.

Neste sentido, a coleção primavera-verão 2020 visa «dar poder e voz a mulheres que não necessariamente teriam lugar no panorama da moda normal», esclarece Marta Marques. Com um total de 35 coordenados produzidos com vários materiais, que vão desde a seda à denim, a coleção estival inclui referências a Hollywood dos anos 50 e 60 «extremamente clássicas misturadas com punk e com o movimento Riot grrrl», sem esquecer a sua «própria preferência pela estética dos anos 90 e pelo grunge», aponta. Esta coleção é «[um grito] de empoderamento, um espaço mais inclusivo e mais diverso na moda», sublinha a designer.

No início do próximo ano, a Marques’Almeida planeia estender este “grito” ao segmento de moda infantil. A coleção incluirá vestuário para crianças dos 2 aos 10 anos, com várias das peças a ser uma réplica em tamanho pequeno da coleção de adulto, sem nunca esquecer os valores da sustentabilidade e da responsabilidade subjacentes à marca. «Tenho [mais] uma filha a caminho, é importante que elas se sintam vistas e ouvidas e que tenham um planeta onde viver», conclui Marta Marques.