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Marrocos aposta na sustentabilidade

A próxima edição da Maroc in Mode, que abre as portas no próximo dia 11 de outubro, aposta nos trunfos da produção marroquina. A fast fashion e a sustentabilidade são os fatores em destaque no certame dedicado ao sourcing, que vai reunir cerca de 200 expositores em Marraquexe.

O crescimento da indústria têxtil e vestuário em Marrocos está a levar o país a enveredar por novos rumos, em busca de um número crescente de compradores para a sua capacidade produtiva.

Atualmente, o país é o 8.º exportador de têxteis para a União Europeia, para onde exporta sem taxas, com crescimentos anuais de 5% (ver ITV ruma à Maroc in Mode). Os 28 países do bloco comunitário, de resto, representam 70% do total das exportações de Marrocos, onde os envios de têxteis e vestuário representam 24% das exportações, o equivalente a 3 mil milhões de euros em 2016.

Mas os objetivos da indústria têxtil e vestuário do país são mais ambiciosos, tendo como meta chegar aos 4 mil milhões de euros de exportações, criar 100 mil novos postos de trabalho e estabelecer 77 “empresas-locomotiva” para impulsionar todo o sector.

O trunfo da fast fashion

A fast fashion é, atualmente, o grande trunfo da indústria marroquina, graças à sua proximidade à Europa e experiência a produzir para marcas e retalhistas, o que lhe dá um forte poder de reação, mas os projetos em curso pretendem acompanhar os desenvolvimentos internacionais e a feira Maroc in Mode, que se realiza a 11 e 12 de outubro, será um espelho dessa vontade de evoluir. «Os desenvolvimentos digitais e a Indústria 4.0 mostram o quão importante é o sourcing em Marrocos para otimizar a cadeia de valor com o seu conhecimento na produção de fast fashion. As sobreproduções tornam-se mais calculáveis e as tendências de pico podem ser rapidamente reproduzidas. A fast fashion continua a ser um desafio estratégico para os retalhistas e marcas aumentarem a competitividade. A produção marroquina oferece as soluções apropriadas», destaca em comunicado a organização, a cargo da associação sectorial Amith.

Os produtores marroquinos querem também ser vistos como uma fonte de aprovisionamento de confiança e jogam, por isso, a carta da sustentabilidade. «Até 2030, 52% das necessidades energéticas do país serão cobertas por energias renováveis», aponta a organização.

Têxtil circular

Neste âmbito, a Maroc in Mode vai apresentar o Circular Textile Cluster, um projeto de desenvolvimento de produção sustentável onde estão envolvidas empresas de origem espanhola como a Hallotex, a Textil Santanderina e a Vich Industrial e a austríaca Lenzing. Do projeto consta a construção de uma fiação para processar fibras recicladas e uma unidade de reciclagem em Tanger, que deverá ter a capacidade de reciclar mais de um milhão de quilos de resíduos têxteis por ano. «Marrocos está a entrar em novos territórios e a ser pioneiro na sustentabilidade», sublinha o comunicado da organização do certame.

Entre os cerca de 200 expositores anunciados para esta edição da feira, destaca-se ainda a estreia da turca Kilim Denim, de Istambul, que desenvolveu a coleção Raw for the Oceans (que usa resíduos de plástico recolhidos do mar) em colaboração com a G-Star. O Moroccan Denim Cluster, que está representado na feira, está também a implementar um programa de apoio às empresas para acelerar a sua transformação e fazerem as mudanças necessárias para que a indústria de denim do país «seja reconhecida como uma “indústria sustentável” e assegurar uma economia sustentável para as gerações futuras», conclui a Amith.