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Marrocos desenvolve competências

As exportações para a Europa são de importância crítica para os fabricantes de vestuário de Marrocos, com o governo e grupos da indústria a combinarem esforços para melhorar as normas, promover as vendas no exterior e criar um centro de design para o sector. O governo marroquino está também a ajudar a indústria a obter nova tecnologia de produção. Há dois anos atrás, a recessão mundial diminuiu a produção e o emprego no sector. As empresas marroquinas foram atingidas por uma queda de 6% nas vendas de vestuário pronto-a-vestir no final de Dezembro de 2009, em comparação com o mesmo mês de 2008, representando uma perda de 1,2 mil milhões de dirhams (105,8 milhões de euros). Estes problemas levaram à acção do governo marroquino. Vários ministérios trabalharam em conjunto para desenvolver um plano de emergência, o que levou, entre outras iniciativas, a que a indústria têxtil e de vestuário recebesse alguns benefícios fiscais, para aumentar a sua rentabilidade. Enquanto isso, um empréstimo para as empresas orientadas para a exportação foi estabelecido pelo governo, a Confederação Geral das Empresas de Marrocos (CGEM) e a federação bancária do país – Groupement Professionnel des Banques Morocco (GPBM). Ocorreu também o lançamento da Academia Casa Moda em Outubro do ano passado, em Casablanca, a primeira escola de design de moda no país e uma iniciativa conjunta entre a Associação Marroquina dos Têxteis e Vestuário (AMITH) e o ministério da formação profissional. O objectivo é criar um núcleo de profissionais de design em Marrocos, capaz de tornar o país num centro de moda e aprovisionamento. A instituição possui uma equipa internacional de professores e conta com a participação de profissionais da indústria. Iniciativas como estas têm ajudado a indústria marroquina a aproveitar a recuperação económica mundial, com as exportações de têxteis e vestuário para a União Europeia (UE) a crescerem para os 2,05 mil milhões de euros, em comparação com os 1,96 mil milhões de euros no mesmo período de 2009, segundo o gabinete marroquino de estatística, o l’Office des Changes. Os produtos têxteis e de vestuário continuam a ser a maior fonte de exportações marroquinas (depois do fosfato). O país exportou um total de 28,5 mil milhões de dirhams (2,51 mil milhões de euros) de têxteis e vestuário em 2010. Os principais concorrentes de Marrocos são a China (em valor), Egipto e Tunísia (em rapidez de entrega para os mercados europeus). Como tal, o marketing e a publicidade são importantes. Houve uma forte presença marroquina na feira Zoom by Fatex, que decorreu em Paris no mês de Fevereiro, o que rendeu algumas encomendas significativas para os produtores marroquinos. Um porta-voz da AMITH referiu que «a melhoria gradual da procura externa, especialmente da França e da Espanha, continuou no início de 2011, após as empresas locais participarem na feira têxtil». O responsável ressaltou que para atender a esta procura crescente «as partes interessadas do governo e da indústria estão a trabalhar em conjunto para aumentar a disponibilidade de mão-de-obra qualificada». Por exemplo, a associação da indústria e o ministério da formação profissional e promoção de trabalho anunciaram em Janeiro um programa para formar 10 mil novos trabalhadores têxteis em novas competências ao longo de três meses, com mais 10 mil a receberem formação ainda este ano. É claro que todo esse progresso pode ser estagnado se Marrocos for vitima dos conflitos que estão a atingir países como a Tunísia e o Egipto, mas, até agora, a monarquia tradicional de Marrocos parece ter conseguido gerir as exigências de mudança sem sérios tumultos políticos ou sociais.