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Mary Tale a contar histórias

Do mundo imaginário para a realidade, a marca de moda e decoração inspira-se nos sonhos das crianças para criar os seus produtos. Tendo por base valores éticos e sustentáveis, a Mary Tale procura estabelecer uma ligação forte nas relações familiares, colocando mães e filhos a fazer pandã.

Cláudia Manero

Cláudia Manero, fundadora e CEO da marca, explica que sempre trabalhou enquanto designer de moda no sector de criança, mas «quando fiquei grávida da minha filha, comecei a sentir-me inspirada para criar algo que fosse para mães e filhos». Foi assim que surgiu, em 2018, a Mary Tale, uma marca dirigida às «mães um pouco mais jovens e crianças», desde um mês até aos 12 anos de idade, que procuram combinar os seus próprios conjuntos de vestuário, afirma ao Portugal Têxtil.

Esta sinergia de gerações também se aplica à atividade de produção, já que é a mãe de Cláudia Manero que cria as aguarelas posteriormente estampadas nos artigos de decoração. «A minha mãe é artista plástica e pinta as aguarelas para depois eu desenvolver as coleções», revela a CEO. Deste modo, a marca produz não só vestuário para mães e filhos, como também almofadas com tintas à base de água, cobertores, caçadores de sonhos, quadros em aguarela e vários outros artigos tricotados de algodão orgânico ou bambu.

Assim, a Mary Tale reúne já seis coleções lançadas ao público, inspiradas no mundo da fantasia em que vivem as crianças. «Temos sempre histórias diferentes porque é baseado no imaginário infantil, a fada e o cisne, os unicórnios, o nome da floresta, os arcos-íris. É muito naquele imaginário em que as crianças vivem», assegura Cláudia Manero. A mais recente chama-se Guiding Star e já está pensada para a época do Natal, com uma forte predominância das cores mostarda e matérias-primas orgânicas.

Uma marca 100% portuguesa

Até ao momento, a Mary Tale escoa a sua produção apenas para o território nacional, através da loja online e das plataformas Minty Square e Dott. «Acredito que, no futuro, vá vender para os países nórdicos porque valorizam muito o conforto» e os produtos biológicos, esclarece a fundadora. A marca beneficiou de um crescimento lento nos primeiros meses de atividade, mas o progressivo investimento em marketing tem-lhe granjeado cada vez mais clientes.

Por outro lado, a Mary Tale assume uma forte preocupação com as questões de sustentabilidade, não só a nível ecológico como também social. A marca procura garantir «um mínimo de desperdício possível em tudo o que resulta da produção», através da reutilização de materiais, e ainda recorrer a matérias-primas orgânicas ou naturais. Além disso, toda a produção é realizada em Portugal, maioritariamente no norte do país e «eu tenho contacto direto com as pessoas com quem trabalho», indica Cláudia Manero. «Sei que pago o justo pela peça, sei que as pessoas trabalham em boas condições», porque «tentamos, ao máximo possível, fazer parte desse processo de produção e acompanhar, para que seja um circuito positivo para todos», reforça a fundadora.

Neste sentido, a marca integrou um blog no website, onde a CEO escreve «artigos para dar esse feedback ao consumidor», isto é, comunicar as bases de sustentabilidade e comércio justo inerentes aos produtos da marca. «A ideia é ter, pelo menos, dois artigos por mês», salienta Cláudia Manero. O blog vem contribuir para a estratégia de comunicação da Mary Tale, já que «ainda existe alguma resistência, por parte do consumidor, em valorizar o produto, ou seja, pagar um pouco mais para o produto resultar de um comércio justo e de uma fonte de produção sustentável», reconhece.

No futuro, a marca procura «encontrar os melhores mercados para a venda dos nossos artigos, continuar a aumentar as coleções e a diversificar os produtos e crescer sempre no sentido da sustentabilidade», adianta a fundadora. Neste sentido, a Mary Tale abriu, em agosto, a loja online a toda a Europa e prepara-se para investir na sua divulgação. Por outro lado, no próximo ano planeia lançar uma coleção de fatos de banho de poliéster reciclado, desenvolvida a partir de redes de pesca retiradas dos oceanos.