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Marzotto aposta em Valentino

< >O grupo têxtil italiano, Marzotto, escolheu colocar o seu futuro lado a lado com a marca romana Valentino, que recentemente foi comprada à holding italiana HdP. A tomada de controlo da Valentino em Junho, acentuou a presença no pronto-a-vestir do grupo Marzotto, sediado em Valdagno, e proprietário da casa alemã Hugo Boss e da linha de vestuário Marlboro Classics. O objectivo da Marzotto é de se «concentrar nas suas três marcas mais fortes, que dispõem de uma perspectiva de crescimento importante», explicou António Favrin, administrador delegado do grupo, no momento da apresentação da nova estratégia da sociedade. «Nós não temos necessidade de ter novas marcas», afirma. Hugo Boss é desde já líder mundial no que diz respeito ao pronto-a-vestir topo de gama para homem, com um volume de negócios anual que ultrapassa o milhar de milhão de euros. A Marzotto espera repetir o sucesso da Boss no vestuário feminino com a Valentino. Apesar de uma notoriedade mundial, o primeiro é mais modesto a nível comercial. O segundo tem resultados muito deficitários. O volume de negócios fixou-se em apenas 132,5 milhões de euros para 2001 enquanto que os prejuízos atingiram os 28,5 milhões de euros. Para o ano em curso, está previsto que as vendas subam ligeiramente para 141 milhões de euros, mas com um resultado líquido negativo por causa de custos extraordinários. A verdadeira alteração, espera a direcção da Marzotto, deverá ocorrer em 2003, com o lançamento de uma nova linha Valentino mais jovem e mais barata, assim como uma linha de lojas sob licença. «Com a Valentino, adquirimos uma grande marca mais conhecida, mas que não é acessível à maioria dos consumidores», explica Michele Norsa, directora-geral do sector do vestuário da Marzotto. A ideia da Marzotto é de «alargar a gama de produtos Valentino, para tornar a marca acessível a mais consumidores», refere Michele Norsa. Valentino Garavani permanece no seu lugar de responsável pelos estilistas e a marca conservará a sua característica de topo de gama. A equipa está no entanto, a caminho de ser reforçada com «jovens estilistas» com vista a um alargamento da linha de produtos, explica Michele Norsa. Relativamente ao plano comercial, o grupo não aposta na abertura desenfreada de novas lojas ou «catedrais de luxo com todos os produtos da empresa expostos». Pelo contrário, os «projectos de difusão do pronto-a-vestir com parceiros» são examinados para abrir os produtos Valentino nas grandes lojas, por exemplo. A Marzotto espera ver a Valentino atingir um volume de negócios de 273 milhões de euros em 2005, ou seja, duas vezes mais elevado do que em 2002, e chegar a um resultado líquido positivo em 2004.