A transação garantiu ao grupo italiano 7% das ações da Hugo Boss, quase oito anos depois de ter vendido a sua participação maioritária à firma de investimento que agora substitui. Apesar de ter mantido uma presença indireta na marca, através do veículo de investimento minoritário Red & Black, controlado em 60% pela Permira, a família italiana viu a sua participação diminuir com a sucessiva colocação de ações no mercado.

A venda recente de 5 milhões de ações à família Marzotto, a par da colocação de 9 milhões de ações no mercado, diminui a participação da Red & Black na marca de moda alemã, que detém agora 12%, face aos anteriores 32%. O valor das ações da Hugo Boss mais que duplicou desde a sua aquisição pela Red & Block em 2007 por 5,3 mil milhões de euros. Especialmente reconhecido pelos fatos de homem, a Hugo Boss tem investido em vestuário feminino e em espaços de loja próprios, aumentando as suas vendas anuais em 60%, para 2,6 mil milhões de euros desde esse período.

Os seus lucros antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (ebitda) duplicaram, atingindo os 591 milhões de euros. A Red & Black colocou as ações à venda por 102 euros cada, um valor significativamente inferior ao preço de fecho assinalado no dia anterior à venda, que se fixou nos 109,20 euros. Nesse dia, a Hugo Boss registou uma quebra de 5,6% no valor das ações, que atingiram individualmente os 103,50 euros. «A venda inesperada de um grande pacote de ações pesou visivelmente sobre o preço das ações da Hugo Boss», afirmou o analista da NordLB Wolfgang Vasterling.

Porém, esta tendência deverá reverter-se assim que as colocações da Permira terminarem. Esta colocação também aumentará a flutuação livre da Hugo Boss em mais de 75%, aumentando o seu peso e colocando-a, potencialmente, entre os candidatos ao índice DAX-30, que afere a performance das trinta principais empresas alemãs, sugerem alguns analistas.