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Máscara da Adalberto inativa Covid-19

A solução desenvolvida pela empresa de Rebordões, que está a ser comercializada também pela MO, tem a capacidade de inativar o SARS-CoV-2. Apesar da empresa estar já convencida desta capacidade, os testes realizados pelo Instituto de Medicina Molecular comprovam agora que neutraliza o vírus, mesmo após 50 lavagens.

A máscara, constituída por quatro camadas distintas, começou a ser desenvolvida ainda em março e incorpora diferentes tecnologias, incluindo um antimicrobiano e a capacidade de perfurar a membrana de vírus e bactérias. «Desenvolvemos um antimicrobiano que atrai os vírus e bactérias e, por ação mecânica, perfura as membranas. Com essa rotura, os vírus ficam inativos e as bactérias morrem, isto sem libertação de nenhum composto químico – a nossa tecnologia fica na fibra e é biodegradável», explicou ao Portugal Têxtil Hugo Miranda, diretor de inovação na Adalberto.

Desde cedo a empresa acreditou que o desenvolvimento permitiria inativar o vírus, mas só agora ficou comprovado, graças aos testes do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (iMM). «Estávamos muito confiantes», referiu Hugo Miranda.

Hugo Miranda

«Da forma como a funciona a nossa tecnologia, com todos os acabamentos, é um cocktail que não podemos revelar, mas não é só o antimicrobiano que vai ajudar na eficácia antivírica, é um conjunto de fatores que fazem com que seja super-eficaz, tanto a nível de bactérias, como na parte viral», adiantou o diretor de inovação.

Segundo Pedro Simas, investigador e virologista que coordenou a investigação no iMM, «estes testes consistem na análise do tecido após o contacto com uma solução que contém uma determinada quantidade de vírus, cuja viabilidade se mede ao longo do tempo. Os testes à máscara MOxAdtech revelaram uma inativação eficaz do SARS-CoV-2 mesmo após 50 lavagens, onde se observou uma redução viral de 99% ao fim de uma hora de contacto com o vírus, de acordo com os parâmetros de testes indicados na norma internacional ISO18184:2019».

Um milhão de unidades vendidas

Em comunicado, Susana Serrano, CEO da Adalberto, considera que a MOxAd-Tech, como foi batizada a versão comercializada pela MO, «tornou-se possível por existir uma cooperação entre várias entidades distintas, que colocaram o seu conhecimento e capacidade ao serviço da comunidade para ajudar na proteção das famílias portuguesas», destacando, assim, o contributo da MO, marca de retalho da Sonae Fashion, do iMM, do CITEVE e da Universidade do Minho.

Também para Francisco Pimentel, administrador da MO, «este projeto é um excelente exemplo de cooperação entre instituições nacionais para criar um produto inovador e disponibilizá-lo às famílias num prazo muito curto. Os testes do iMM vieram comprovar a nossa afirmação de que a MoxAdTech é melhor máscara de proteção social, reforçando todas as certificações já conquistadas. Estamos cientes da importância deste projeto para a comunidade e orgulhosos por, em conjunto com os nossos parceiros, estarmos a cumprir a missão da Sonae de levar os benefícios do progresso e da inovação a um número crescente de pessoas».

Desde que começou a comercialização, foram já vendidas mais de um milhão de unidades, com a máscara a ter igualmente certificação em Espanha e França e estar disponível não só na MO, mas também no Continente e na Well’s, do universo Sonae, assim como no website Ad-Tech, da própria Adalberto. «Houve um grande boom no final de abril e em maio, que foram os melhores meses que tivemos a nível de procura. [Em junho] baixou um bocadinho, o que teve a ver um pouco com a descontração resultante das medidas de desconfinamento. Mas creio que vamos voltar outra vez a ter uma grande produção e uma grande quantidade para entrega», adiantou, ao Portugal Têxtil, a CEO da Adalberto.

Susana Serrano