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Maturidade no Bloom

Assumiu as rédeas de um primeiro desfile individual no espaço Bloom na última edição do Portugal Fashion, mas o ambiente já lhe era relativamente familiar – Sara Maia conquistou o primeiro prémio de jovem designer da plataforma em 2012. Depois disso, rumou para Londres e atracou nos portos de marcas como a Marques’Almeida, Aitor Throup e Maharishi.

A experiência em Terras de Sua Majestade «foi bastante positiva, o meu objetivo inicial foi crescer de uma forma diferente», começa por explicar, ao Portugal Têxtil, a jovem designer, que iniciou o seu percurso académico na Escola de Moda do Porto, passando, depois, pelo Modatex.

Em Londres, Sara Maia colaborou com marcas como Marques’Almeida e Aitor Throup em ambiente de atelier e na Maharishi, marca que lhe deixou experiências de atelier e indústria. «O processo criativo é mais permissivo, temos a oportunidade de dar o nosso cunho pessoal em termos de produção. Funciona realmente como uma marca da indústria», explica.

Depois de incluir estas experiências no seu currículo, a designer optou por regressar a casa. «Decidi que ficar em Londres não constituia a melhor opção para aquilo que era o meu objetivo inicial», recorda, referindo que no término de um interregno de um ano, a vontade de ler o seu nome no calendário do Portugal Fashion falou mais alto.

«O meu objetivo era criar uma marca e acho que o Portugal Fashion, neste momento, é o sítio onde me enquadro melhor. O facto de me poder dar uma projeção a nível nacional e internacional bastante grande, acaba por me ajudar nesse aspeto também», revela sobre o que motivou o seu regresso à plataforma para jovens talentos do certame.

Esta reentrada na passerelle-instalação do Bloom (ver Crónica de um inverno anunciado) fez-se de cortes oversized e descontraídos em sweaters, conjuntos e vestidos que terminavam antes do tornozelo, nos quais as mangas tiveram particular destaque – em volume, jogos de transparências ou cortes que mostravam a pele.

«A coleção foi o reflexo daquilo que se passou nos últimos anos», afirma Sara Maia, sublinhando que o ponto de partida foi a sua admiração por um editorial de moda datado de 2006. «Quando comecei a estudar recordava-me daquele editorial e, há pouco tempo, voltei a entrar em contacto com ele. Não sei porquê, mas aquela imagem não me saiu da cabeça. O título do editorial era “I’m not interested in money, I just want to be wonderful” e achei piada», recorda a jovem designer, que acabou por verter aquela memória e a sua vibração antagonicamente desportiva e clássica para a coleção outono-inverno 2016/2017. «Tentei fazer um mix, até mesmo com as lãs tricotadas, ao parar uma cor e começar outra. Foi, também, a ideia de trazer um bocado de cool ao formalismo das coisas», explica Sara Maia sobre a coleção na qual predomina o azul-marinho.

Com olhos postos na imprevisibilidade do futuro, Sara Maia deixa pelo menos uma certeza: «o Portugal Fashion é para continuar», garante ao Portugal Têxtil.