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Maximalismo domina design

A Semana de Design de Milão deixou-se dominar por um maximalismo ousado e colorido que impactou os visitantes, captando a sua atenção num tempo marcado pela forte dependência de gadgets e abstraindo-os das principais questões políticas e sociais.

De 4 a 9 de abril, Milão recebeu arquitetos, decoradores e designers de todo o mundo, atraídos à cidade italiana para a 56.ª Semana de Design de Milão, que agrega o Salão Internacional do Móvel e várias atividades paralelas.

Em tempos de incerteza, costumam ser apresentadas duas formas de reagir. A primeira é a procura de serenidade em ambientes tranquilos, onde os ruídos visual, sonoro e tecnológico são reduzidos ao mínimo. Outras vezes, porém, a rutura é necessária e uma festa visual de padrões, cores e texturas é tudo aquilo de que o indivíduo necessita. A segunda alternativa parece agradar mais às marcas e estúdios presentes na edição de 2017 do certame, segundo o WGSN.

Em algumas apresentações, foi possível perceber uma forte aposta na mistura de diferentes épocas, estilos e geografias e a coleção de louça “Housewives”, lançada pela milanesa LaDouble J, que intersetou padrões de várias referências vintage, foi um dos exemplos deste cruzamento de estilos. Além do design do produto, esta direção maximalista estendeu-se a todo o espaço.

Outra das grandes apostas desta Semana de Design de Milão foram as colaborações criativas. Com mais de 420 eventos paralelos a tomarem conta da  cidade, as marcas tiveram de se esforçar e pensar fora da caixa para se destacarem durante o certame – que este ano levantou uma onda de interessantes colaborações.

A marca de design Corian, por exemplo, associou-se à revista de decoração de interiores Cabana para a instalação “Corian Cabana Club”, uma celebração multicultural do maximalismo. Na instalação, sete designers internacionais foram inspirados por uma cultura diferente e o resultado foi um conjunto de espaços autónomos que expôs a diversidade de padrões, cores, formas, detalhes e motivos globais. De um quarto mexicano a uma sala de estar russa, cada conjunto tinha uma abordagem diferente ao design, decoração e estilo de vida, com resultados intrigantes.

Já o espaço da marca Moooi apostou na conjugação de padrões têxteis, decoração, mobiliário e iluminação para diferentes áreas funcionais.

O milanês Dimore nunca dececiona e as referências dos anos 30 misturaram-se com os detalhes glamourosos da década de 1970 na instalação do estúdio durante o evento.

O Studiopepe, por seu lado, trouxe à vida um apartamento no bairro de Brera com “The Visit”, uma instalação que assumiu todos os espaços com «um jogo contínuo de ecos cromáticos e padronizados», enquanto Cristina Celestino introduziu uma abordagem refinada mas ainda assim ornamentada nos seus vários designs que cruzaram o certame: de azulejos a mesas e louças de vidro e metal, algumas referências históricas foram refrescadas em peças de textura, escala e cor.

Por último, mas não menos importante, “Sicily Is My Love”, a mais recente colaboração da Dolce & Gabbana com a Smeg, foi também apresentada na Semana de Design de Milão 2017. A fabricante de eletrónica e a casa de moda vão colocar no mercado, em outubro, uma gama de robots de cozinha carregados com uma decoração colorida que evoca os motivos sicilianos tradicionais. Máquina de sumos, torradeira, máquina de café, fervedor de água e batedeira – a coleção inclui tudo o que é necessário para equipar a cozinha.