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MCS junta valências

A empresa de acessórios têxteis está a investir mais de 3 milhões de euros para transferir a produção de Vila Nova de Gaia para Valongo, onde tem já uma unidade produtiva. Estas novas instalações vão ainda permitir à MCS instalar um sistema de reciclagem de água que irá reduzir o seu consumo em 90%.

Vítor Castro e Francisco Reis

O novo edifício, cuja construção se está a iniciar e irá prolongar-se pelos próximos 18 meses, tem como objetivo a «otimização dos processos e a eliminação de algumas redundâncias», afirma Vítor Castro, CEO da MCS. O investimento, que ultrapassará os 3 milhões de euros, irá ainda permitir à MCS «implementar um processo 4.0 na nossa tinturaria e, paralelamente a isso, começar a reciclar a água que consumimos», explica. «Na nossa capacidade máxima, consumimos 100 mil litros de água por dia – vamos poupar cerca de 90% com o processo de reciclagem e depuração de água, até ao ponto em que podemos voltar a utilizá-la», acrescenta.

O projeto faz parte de uma aposta na sustentabilidade por parte da empresa, respondendo às exigências crescentes do mercado. «Isto trabalha muito sobre aquilo que acreditamos que é o aumento das exigências na eco-sustentabilidade e com o reconhecimento que o próprio mercado está a dar, cada vez mais, a essas práticas de sustentabilidade», aponta Vítor Castro.

No total, a MCS, que emprega 84 pessoas, deverá ficar com uma área coberta de cerca de 12 mil metros quadrados em Valongo, onde ficarão albergados todos os processos produtivos. «Somos fabricantes de passamanarias. Procuramos verticalizar o nosso trabalho tanto quanto podemos, no sentido de poder otimizar a produção e a estrutura de custos. Temos tecelagem, temos corte e costura, tudo o que são processos de acréscimo de valor àquilo que é o nosso core business. Temos os entrançados, tinturaria e depois, como áreas complementares, temos o laboratório e tudo o que é investigação e desenvolvimento, no sentido de poder dotar a empresa de produtos necessários no mercado», enumera o CEO.

Inovar para crescer

A indústria automóvel representa, atualmente, 35% do volume de negócios da MCS, que em 2018 rondou os 5 milhões de euros, sendo o restante distribuído por áreas como a confeção, calçado e decoração. «Temos uma orientação muito grande para a indústria automóvel. Somos a única empresa no país com certificação IATF – International Automotive Task Force. É uma especificação técnica que o OEM definiu e todos os seus parceiros ou candidatos a fornecedores têm que ter essa certificação para estarem habilitados a fornecer a cadeia de abastecimento da indústria automóvel», sublinha Vítor Castro.

A inovação faz parte das mais-valias da empresa, que tem diversos projetos a iniciar-se brevemente, a maior parte dos quais, contudo, ainda no “segredo dos deuses”. «Em janeiro vamos fazer um lançamento mundial com uma marca, que não podemos divulgar, sobre uma aplicação completamente nova», desvenda Vítor Castro ao Portugal Têxtil. «E estamos envolvidos também em Israel com um projeto completamente novo na área das impressoras industriais», acrescenta.

Com três pessoas dedicadas à investigação e desenvolvimento de novos produtos, na última edição da Techtextil, a MCS apresentou artigos com resistência aos infravermelhos para a área militar, produtos de segurança para cintos e arneses, assim como artigos que permitem aliar a eletrónica aos têxteis, «criando condutividade num produto que é elástico», explana Vítor Castro.

Duplicar o volume de negócios

Atualmente, 45% da produção da empresa tem como destino os mercados internacionais, uma quota que ascende a 95% quando se soma a exportação indireta. «Estamos a vender para os três continentes, praticamente 40 países», afirma o CEO, citando, como principais mercados, o Brasil, a Hungria, Polónia e Israel.

Depois de um ano de 2018 considerado de maior estabilização, apesar do incremento de 8%, Vítor Castro antecipa que 2019 será o início de mais um ciclo de crescimento da MCS, à semelhança do que tem acontecido na última década. «Nós temos dois ou três anos de estabilização e dois ou três anos de crescimento – tem sido assim nos últimos 10 anos. Estamos a sair de um momento de estabilização e, portanto, acreditamos que este ano seja de crescimento. Já estamos com um aumento de 12% e o que temos projetado é que, no final do ano, o crescimento seja em torno dos 15%», indica.

As ambições são ainda maiores para o médio prazo. «Temos muitos projetos a entrar, coisas que vamos começar a industrializar, que ganhámos o ano passado e há dois anos e vamos começar a produzir agora. Temos no nosso plano estratégico que, dentro de cinco anos, teremos duplicado o nosso volume de negócios», revela o CEO da MCS.