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Menos lojas, mais bolsas

Ainda assim, na Prada, a aposta continua a ser a abertura de novas lojas com modelos em linha com bestsellers da marca a adornar as prateleiras. O grupo, que também é dono da Miu Miu e da Church’s, abriu 250 lojas nos últimos três anos, números que superam largamente os dos seus concorrentes diretos. A marca tem começado a diminuir gradualmente o ritmo, mas ainda tenciona abrir entre 30 e 35 lojas este ano. «A Prada está a começar a concentrar-se no crescimento das vendas, três anos depois dos seus concorrentes, porque as suas prioridades estavam concentradas noutro lugar. Mas é claramente melhor fazê-lo tarde do que nunca», afirma Erwan Rambourg, analista de bens de luxo no HSBC. Os analistas estimam que as vendas em lojas já estabelecidas (valores que a Prada terá deixado de reportar) tenham caído à volta dos 12% em análises anuais. O preço das ações do grupo caiu quase para metade nos últimos dois anos e a sua margem operacional diminuiu 15,4% no terceiro trimestre, quando no primeiro alcançou os 21,3% Alguns analistas esperam uma pequena margem de crescimento este ano, devido a um dólar forte que irá impulsionar os ganhos anteriores feitos em euros. A Prada não está sozinha neste barco ante um iceberg, pois os tempos são complicados para vários produtores de bens de luxo, com a emergência das marcas de “luxo acessível”. Todavia, a rival Louis Vuitton, que já terá suspendido a abertura de novas lojas, revelou na semana passada que tinha desfrutado de uma forte recuperação. Depois da abertura da loja masculina de Milão, do espaço na estância francesa de Courchevel e das recém-chegadas bolsas Prada, os clientes da marca vincam que a não notaram muita evolução dos modelos nos últimos anos, como se a empresa estivesse com medo de mudar uma receita que resultou durante tanto tempo. Os analistas do HSBC esperam que as «questões de inovação em bolsas e acessórios» Prada acabem por ser resolvidas. Já a marca diz que continua a trabalhar para colocar novos produtos no mercado, apostando na integração de jovens designers.