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Mercado britânico em baixa

Não são só os preços que estão a descer nas ruas inglesas, mas também o preço das acções, os lucros e a reputação de alguns dos maiores retalhistas. Exemplo disso é a Marks & Spencer que enfrentou na reunião anual, accionistas zangados, depois de 12 trimestres de baixa de vendas. No mês passado a Boots, uma cadeia química, reportou uma descida nos lucros e nas vendas e uma subida das margens quase nula. Na Kingfisher, um aglomerado de retalhistas, os lucros da Woolworths entraram numa descida bastante acentuada. No entanto, os retalhistas britânicos deviam estar em expansão. Com baixas taxas de juro e aumento nos salários, os consumidores estão a gastar a uma velocidade nunca vista em quase 15 anos. Em Junho, as vendas a retalho aumentaram em termos reais 5.6% acima de 2000. Os passados meses tiveram as taxas de maior crescimento desde o pico do último boom nos finais de 1980. Então, porque estão tantas lojas estão mal? O aumento da competitividade é uma razão. Bem como a entrada de mais retalhistas estrangeiros na Inglaterra, atraídos pela mão-de-obra relativamente barata, por uma economia forte e por uma capital consciente da moda. Enquanto a americana Gap, a sueca Hennes & Mauritz, a espanhola Zara e a japonesa Uniqlo se expandem para fora do seu mercado de origem já saturado, escolhem o Reino Unido como alvo preferido e trazem consigo um sentido global de moda, fabricação just-in-time e economias de escala que os retalhistas ingleses acham difícil de igualar. Enquanto os estrangeiros atacam de um lado, os hipermercados atacam por outro. A Asda, adquirida pela Wal-Mart, foi a primeira a expandir-se agressivamente para áreas como: papelaria, vídeos, CDs e roupas – com uma gama de moda desenhada por George Davis, fundador da Next. A crescente competitividade está a por a descoberto as fraquezas na gestão de alguns retalhistas. Muitas cadeias sofrem de sobre-expansão: é só verificar o número de lojas Boots ao longo de Oxford Street. Mas, alguns dos maiores empregadores ingleses, temem uma chicotada pública caso fechem lojas e despeçam pessoas. E como resultado, enquanto as vendas têm vindo a aumentar, as margens de lucro estão a cair. As margens brutas do sector caíram de 30.1% em 1994 para 26.5% em 2000. Os gestores dos retalhistas britânicos parecem estar mal equipados para lidar com um ambiente mais competitivo. Tradicionalmente, as pessoas mais poderosas no retalho provêm dos departamentos de compra. De acordo com Richard Hyman da consultora retalhista Verdict, “os retalhistas mais antigos são vitimas do seu próprio sucesso. Eles não estão equipados para enfrentar este nova centralização no consumidor”. A Tesco, com a sua avançada rede de sistemas e cartões de fidelidade, ou a Gap, onde os assistentes com os seus headsets estão num ápice em contacto com a loja, dão uso às tecnologias que permitem uma resposta rápida aos consumidores que compram na loja. Nem todos os retalhistas das ruas chiques da Inglaterra são mal geridos. Há algumas excepções, tais como a Next e a French Connection. Mas, à medida que a economia vai abrandando, muitos retalhistas britânicos deviam pensar em limpar o stock desnecessário tanto dos armazéns como das lojas.