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Mercado do luxo em retração

As vendas de bens de luxo na China continental caíram 1% para os 115 mil milhões de yuans (18,5 mil milhões de dólares) em 2014, em comparação com o ano anterior, segundo revelou a Bain & Company. A empresa de consultoria, que tem analisado o mercado desde 2000, referiu que esta foi a primeira vez que o sector contraiu. O Império doMeio tornou-se um destino cada vez mais importante para os fabricantes de bens de luxo, à medida que evoluiu o número de ricos na sequência do crescimento económico de décadas. O gigante suíço Richemont, o segundo maior fabricante mundial de produtos de luxo, divulgou em novembro que o seu lucro líquido no primeiro semestre do ano fiscal 2014/2015 tinha caído 23% devido ao abrandamento da procura na China. O China Luxury Market Study da Bain refere que o declínio global registado no ano passado foi o resultado do «impacto continuado de campanhas anticorrupção e frugalidade que minaram a oferta de produtos de luxo». A desaceleração das vendas de relógios de gama alta, de moda masculina e artigos de couro foram os principais responsáveis pelo declínio, acrescentou a consultoria. O presidente chinês Xi Jinping tem supervisionado uma unidade anticorrupção muito divulgada desde que assumiu o poder no final de 2012. Uma campanha de austeridade paralela também tem procurado reduzir a troca de presentes, os banquetes e outros excessos do partido no poder e no governo. A Bain afirmou ainda que a desaceleração do crescimento económico da China veio «exacerbar o problema». A economia chinesa cresceu 7,4% em 2014, o ritmo mais fraco em 24 anos, conforme mostraram os dados oficiais lançados recentemente, e as autoridades estão a enfatizar um “novo normal”, à medida que adequam o modelo de crescimento do país a um sistema que esperam seja mais sustentável. A empresa de consultoria também ressaltou que o mercado de luxo no Inpério do Meio está a tornar-se mais diversificado. «O campo das marcas de luxo na China está a expandir», afirma Bruno Lannes em comunicado, o sócio da Bain que escreveu o relatório. «O posicionamento futuro e a popularidade das marcas dentro do mercado de luxo depende da vontade de renovar os conceitos para responder às necessidades cada vez mais sofisticadas e bem informadas dos consumidores chineses, controlando em simultâneo a crescente diversidade de canais de vendas, como o “daigou”», explica Lannes. O termo “daigou” é uma palavra chinesa para clientes pessoais no exterior que compram bens de luxo e os enviam aos clientes finais na China. A Bain revelou que o mercado “daigou” aumentou em 2014 para uma estimativa de 55 a 75 mil milhões de yuans, sendo liderado por cosméticos, artigos de couro, relógios e joias. A consultoria indica que os chineses compram atualmente 70% das marcas de luxo diretamente no exterior ou através de agências “daigou”.