Início Arquivo

Mercado dos jovens preocupa retalhistas britânicos

Um recente estudo da Compatibility, empresa de consultoria inglesa, publicado pelo just-style.com, aborda o tema do mercado de vestuário para jovens no Reino Unido. Segundo Stephen Clarkson, responsável da referida consultora, “em termos de poder de compra, os jovens entre os 8 e os 14 anos constituem actualmente a faixa etária com o maior potencial de crescimento no mercado do vestuário no Reino Unido”. “Estes jovens possuem um considerável rendimento próprio, influenciando igualmente bastante o consumo dos seus pais”, acrescenta o mesmo especialista. A propósito deste tema, os analistas de mercado da Fashion Trak apontam para um consumo total, por parte destes jovens, na ordem dos 2,7 biliões de euros, até final de Setembro de 2002, face aos 2,4 biliões de euros em igual período do ano anterior. Richard Hyman, presidente da Verdict Research, concorda com esta análise, referindo que “todos os dados mostram que os jovens se preocupam cada vez mais com a moda, fazendo deste segmento um alvo cada vez mais apetecível”. Esta faixa etária é composta por jovens que já não são crianças, mas que ainda não são verdadeiros adolescentes. Sian Apjohn-Williams, comprador de vestuário de rapariga da cadeia Peacocks, confirma estas mudanças na demografia britânica, adiantando que, por causa disso, a oferta destas lojas será alargada até aos 15 anos, já a partir da Primavera de 2003. No entanto, este mercado está longe de ser fácil, pois os consumidores são bastante exigentes, e muito atentos aos preços e às novas tendências de moda e design dos artigos de vestuário colocados à sua disposição. De acordo com Stephen Clarkson, “este é um mercado difícil de trabalhar, e um bom exemplo de abordagem foi o lançamento da insígnia 915 pela New Look, podendo ver actualmente casos semelhantes na linha mary-kateandashley que é vendida na Wal-Mart, nos Estados Unidos, e ainda na Bay Angel, detida pela Bay Trading”. Neste relatório, publicado em 2002, a Compatibility divide o mercado em três categorias: os retalhistas que têm linhas de vestuário para jovens, como a Miss Internacionale da Internacionale, e a Tammy da Etam; as extensões das gamas principais para jovens, como a Marks & Spencer, Next e GAP; e as marcas de moda, como por exemplo a French Connection, Elle, Joe Bloggs e Ted Baker. Por seu lado, o mercado dos rapazes é dominado pelas marcas desportivas (Nike, Adidas e Reebok), que vendem todos os seus artigos em tamanhos para os mais jovens. Os retalhistas mais inteligentes compreenderam que estes jovens dos 8 aos 14 anos já não se contentam com os artigos básicos, como os jeans e a T-shirt. Eles procuram antes roupas de moda, inspiradas pelas suas celebridades preferidas, como David e Victoria Beckham ou Kylie Minogue. O futebolista David Beckham, por exemplo, assinou recentemente um contrato de 4,3 milhões euros com a Marks & Spencer, para apadrinhar a sua nova linha de vestuário denominada DB07. A cadeia de roupa para jovens Internacionale está também a promover, nas suas 65 lojas no Reino Unido, a linha Miss Internacionale, que inclui tops em camuflado, jeans com brilhantes, calças khaki e até roupa interior. Ainda segundo a Fashion Trak, as jovens raparigas são de longe as maiores consumidoras de vestuário e calçado, gastando anualmente três vezes mais que os rapazes: 2 biliões de euros face a 722 milhões de euros. Estes dados indicam ainda que as raparigas gastam menos por peça, mas compram em maiores quantidades: 149,8 milhões de unidades para 32,4 milhões compradas por rapazes, até Setembro do ano passado. Sian Apjohn-Williams, da Peacocks, revela que a sua linha para raparigas jovens, a GirlsCo. representa 7% do volume total de vendas no Reino Unido, acrescentando que os artigos mais vendidos são os jeans, os tops e as calças em stretch. Apesar do seu grande potencial, este mercado jovem comporta igualmente alguns riscos. “É um mercado em crescimento, mas constitui ao mesmo tempo um dos mais difíceis segmentos de retalho, pois devido à estreita faixa de idades dos clientes, as lojas só podem contar com eles durante um curto período de tempo, tornando desta forma os riscos mais elevados”, refere Richard Hyman. Este responsável considera ainda que, em termos demográficos, o segmento em causa vai diminuir nos próximos anos, apontando que o número de jovens entre os 10 e os 14 anos vai cair 4% até 2006, obrigando os retalhistas a assegurar produtos mais exclusivos e com maior valor acrescentado, de forma a aumentar o consumo individual dos jovens em questão. Além disso, as cadeias de retalhistas afinaram as suas cadeias de abastecimento e logística, de forma a tornarem-se mais flexíveis e rápidas na adaptação às novas tendências e estilos de moda. Isto quer dizer que elas terão que dispor rapidamente de artigos de moda, o que poderá significar um regresso das suas compras à Europa. Ainda segundo Richard Hyman, o factor novidade é fundamental e esse é, hoje em dia, o maior desafio para os fabricantes asiáticos, uma vez que o facto dos seus preços serem mais atractivos para o retalho britânico, não significa que os clientes do Reino Unido se mantenham fiéis, pois muitas vezes os prazos de espera são demasiado longos e a capacidade de resposta dos asiáticos não se revela a mais adequada.