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Mercado em tamanho grande

Segundo o Instituto Têxtil e do Vestuário (IFTH) Francês, 41,14% dos franceses vestem tamanhos que vão do 44 ao 56. Os números mais vendidos são o 40 (20,59 %), o 42 (16,66 %) e o 44 (13,57 %), refere o IFTH que acaba de lançar um novo estojo de medidas especiais para ajudar os industriais a adaptar a sua oferta. Dez por cento das mulheres entre 15 e 25 anos e 54% das mulheres de 65 a 70 anos têm excesso de peso ou são obesas. «Porque é que os industriais ainda não aproveitam devidamente este mercado, que não é um nicho de mercado, mas sim um verdadeiro mercado?» interroga Vivianne Gacquière, presidente da Associação Allegro Fortíssimo, numa mesa cercada de moda direccionada para este segmento no salão Prêt-à-Porter de Paris.«O vestuário é hiper importantes quando se é gordo. A auto-estima de uma pessoa passa pelo vestuário», sublinha Vivianne Gacquière. «A primeira página do website da associação é consagrada ao vestuário e recebe diariamente 1000 visitas», acrescenta. Ela mesma veste o tamanho 54 e normalmente compra peças de roupa em lojas especializadas porque não quer passar nenhuma humilhação numa loja tradicional, embora afirme que os preços são «multiplicados por cinco».As pessoas fortes «são esquecidas», salienta indignada Marta Redon, criadora há seis anos da marca espanhola Biluzik, que propõe vestuários que vai do tamanho 46 até ao 60. «Fazemos uma moda muito feminina, muito actual e para um público muito jovem», explica a criadora. Segundo Redon, as pessoas fortes estão mais jovens que anteriormente e a oferta de vestuário para este segmento falta no mercado. Desde que soube que o salão de Prêt-à-Porter Paris abriria, pela primeira vez, um espaço dedicado às pessoas fortes entendeu que seria o lugar ideal para «normalizar os tamanhos grandes». Todavia, segundo Marta Redon, os tamanhos grandes ainda são um tabu.«É importante que a jovem rapariga que usa o 46 se possa vestir como a sua amiga que veste o 38», explica outra Véronique Sibille, que criou há seis meses atrás a marca Viladoh. «Sempre me vesti muito mal, então tomei a decisão de fazer vestuário que me agradasse», conta esta francesa muito fashion. Todas as peças de vestuário da Viladoh são desenhadas por uma estilista e vão do tamanho 36 ao 60. Segundo num inquérito, realizado a cerca de trinta consumidoras, o guarda-roupa das mulheres fortes é 80% preenchido com marcas tradicionais», sublinha Caroline Bianzina, da Comissão de Estudos Martine Leherpeur. «Estas mulheres desejam comprar coisas ao mesmo preço que todo o mundo e em lojas tradicionais que deveriam oferecer artigos para elas», sustenta Caroline Bianzina. As pessoas fortes não suportam «as etiquetas carimbadas a indicar: tamanho grande. Os profissionais devem acompanhar sem descriminar», conclui Caroline Bianzina.