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México atrai fast-fashion

O apelo à localização do aprovisionamento em território mexicano foi feito por Rosario Mendoza, presidente da filial da Canaive (Cámara Nacional de la Industria del Vestido) do estado de Jalisco, durante o 38.º congresso anual da associação, realizado em Guadalajara no passado mês de outubro. «Solicitamos que 40% das roupas que eles [marcas de vestuário estrangeiras] vendem no México sejam fabricadas aqui», explicou a responsável, acrescentando que «não temos todos os têxteis que necessitam para as suas coleções, mas temos fabricantes e mão-de-obra de qualidade». O Ministério da Economia do México comprometeu-se a considerar o pedido, numa altura em que se prepara para lançar um novo pacote de ajuda à indústria têxtil e vestuário. Mendoza afirmou que a Canaive ficará satisfeita se as marcas estrangeiras acabarem por fabricar localmente pelo menos 20% do vestuário. A responsável revelou ainda que outros sectores industriais mexicanos, incluindo o automóvel, solicitaram com sucesso este tipo de ajuda. Durante o evento, o presidente da Canaive, Sergio Lopez de la Cerda, referiu uma série de marcas internacionais de vestuário que intensificaram recentemente a expansão no México, prejudicando o mercado, porque recusam-se a vender roupas produzidas no país. Embora ainda não possuam uma presença significativa, «estamos preocupados com os seus planos de expansão muito agressivos», sublinhou o responsável. Lopez de la Cerda apontou as marcas H&M, Forever 21 e American Eagle Outfitters (AEO) como três exemplos de destaque de empresas estrangeiras com planos agressivos de crescimento no México. No entanto, fontes referiram que a reivindicação de aprovisionamento é também destinada a outros grupos internacionais, como Inditex e Gap, que estão igualmente a crescer no mercado mexicano. De acordo com de la Cerda, as empresas estrangeiras estão a forçar os grandes armazéns e outros retalhistas mexicanos a competir em condições desleais, na medida em que importam a maior parte do seu vestuário de fornecedores mais baratos na China e na Ásia em geral. Na atual fase de enfraquecimento da economia, os retalhistas mexicanos viram as vendas em igual número de lojas cair 1,7% em setembro. Bea de la Borbolla, porta-voz da H&M – que escolheu o México como rampa de lançamento para a sua expansão na América Latina – indicou que poderá, eventualmente, produzir no México, onde opera atualmente três lojas. «Estamos focalizados principalmente na nossa expansão, mas isso é algo que não se descarta no futuro», reconheceu a responsável. Se o governo ordenar que a H&M produza no México, «vamos com certeza seguir a regulamentação», assegurou. Por seu lado, Miguel Flores, vice-presidente e diretor de país da AEO no México, rejeitou as acusações de que a empresa é “malinchista” (termo mexicano para quem favorece os produtos e a cultura estrangeiros), esclarecendo que «temos uma longa história de aprovisionamento no México em diferentes categorias, por isso dizer que somos “malinchistas” está incorreto.» Flores ressalvou que a AEO «não está a fechar a porta» à possibilidade de aumentar a produção no México, na sequência de uma ordem governamental nesse sentido.