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México quer estar na moda

A indústria têxtil e vestuário mexicana está apostada na reestruturação, depois de um declínio de 40% nas exportações relativamente ao boom de 2002 e da consequente perda de mais de 500 mil postos de trabalho.

A segunda maior economia da América Latina antevê que as exportações de têxteis e vestuário subam 4% a 5% este ano, para os 4,2 mil milhões de dólares (aproximadamente 3,8 mil milhões de euros), numa altura em que o peso continua a desvalorizar em relação ao dólar. No entanto, este número representa um corte de 40% em relação aos 7 mil milhões de dólares que o país expedia há cerca de 15 anos.

O México sucumbiu à concorrência chinesa e a outros ferozes atores asiáticos, afirma Jose Manuel Martinez, diretor-geral da Câmara Nacional da Indústria de Vestuário do México (Canaive). em declarações ao Just-style, acrescentando que, embora as medidas recentes para combater o dumping chinês estejam a ser executadas, a indústria tem contraído de forma significativa.

«Tínhamos 350.000 empregos antes do Acordo de Livre Comércio da América do Norte com os EUA e Canadá (NAFTA na sigla original), que nos ajudou a crescer para um milhão», explica. «Mas depois de a China ter entrado na Organização Mundial do Comércio (OMC) e de os EUA começarem a fazer outros acordos bilaterais, como o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, República Dominicana e América Central (DR-CAFTA), houve mais oferta deslocada para a América Central ou África».

Não obstante, os principais fabricantes mexicanos começaram a apostar na reestruturação, arriscando em novas tecnologias para oferecer produtos de valor acrescentado e de moda aos compradores norte-americanos que procuram diferenciação e vantagens de proximidade mas, e cada vez mais, também aos consumidores locais.

«Os investimentos técnicos continuam a aumentar», revela Martinez, acrescentando que a Avante Textil e outras 15 empresas incorporaram recentemente software de gestão do ciclo de vida do produto (PLM) nos seus processos de fabrico. «A Gerber ainda tem um escritório no México e a Lectra está em expansão, enquanto a Setronica acabou de chegar», destaca o diretor-geral da Canaive.

Outro grande esforço com vista a impulsionar o know-how em moda do país é o Centro Nacional para a Inovação Têxtil e Vestuário, a ser inaugurado na cidade de Pachuca, no início de 2017. «O edifício já está terminado, mas ainda é preciso importar o equipamento», adianta Martinez, acrescentando que a queda do peso (um dólar vale agora 20 pesos em comparação aos 10 pesos de 2012), e a queda dos preços do petróleo que atingiram a economia mexicana limitaram os orçamentos estaduais e atrasaram o projeto.

No entanto, a indústria tem sido capaz de manter os 350 mil postos de trabalho nos últimos dois anos, algo que Martinez acredita ser uma conquista significativa, dada a desaceleração da procura norte-americana.

Já Eric Levy, diretor comercial das Industrias Cavalier, ressalva a chegada de marcas de moda internacionais, que têm ajudado a compensar a queda nas vendas para os EUA. «Temos vindo a apostar muito mais no mercado nacional», observa Levy, acrescentando que, se há uma década as Industrias Cavalier exportavam 80% da produção para os EUA, agora expedem 50% e vendem 50% localmente.

Nos últimos anos, várias marcas estrangeiras escolheram o México e fecharam acordos com franchisados locais, tais como o Grupo Axo, que opera mais de 20 marcas globais no México e América do Sul, incluindo Tommy Hilfiger, CK, Abercrombie & Fitch e Kate Spade.

Todavia, já no início deste ano, o Just-style alertava que entre as ameaças iminentes para os fabricantes mexicanos estariam a Parceria Trans-Pacífica (TPP) e o muro proposto pelo candidato às presidenciais norte-americanas Donald Trump.