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Mexx converte-se à “fast fashion”

Apesar de ser umas das maiores e mais bem sucedidas empresas do mundo da moda, registando vendas globais na ordem dos 4,8 mil milhões de dólares só no ano transacto, a Liz Claiborne Inc quer ainda fazer mais, melhor a mais rápido. Recentemente, o director da empresa americana, Paul Charron, em visita ao Reino Unido, e tendo em vista a expansão da marca naquele território, explicou os planos futuros da empresa. «Estamos a dar passos largos mas seguros de forma a aliarmos o nosso negócio com as necessidades dos nossos clientes». Charron adiantou igualmente que uma das medidas para que esse crescimento se processe passa pela «capitalização das maiores oportunidades entre as 40 marcas do grupo, que inclui marcas de renome como a Juicy Couture, Lucky Brand, Sigrid Olsen e a Mexx». Sem surpresa, muitas dessas mudanças estão já a ser aplicadas na Mexx Europe, a marca de moda comprada pela Liz Claiborne, em 2001. A Mexx tem vindo a apostar na concorrência face a marcas como a espanhola Zara e a sueca Hennes & Mauritz. Por esse motivo, acaba de instalar um novo software PLM (Product Lifecycle Management) para alavancar a marca, reduzindo assim o tempo de entrega das mercadorias. Este software tem vindo a ser aplicado desde Abril de 2006 em cerca de 5 ou 6 divisões da Mexx, mas será utilizado por todo o grupo Liz Claiborne em 2008.

Processo transparente Tom Reeve, director de TIC na Mexx Europe International, tem como principal missão assegurar que o investimento traz transparência ao processo, conseguindo fornecer melhores produtos ao consumidor. «Pretendemos oferecer um produto sobre o qual temos o controlo total», afirmou Reeve. «Estamos a trabalhar num ambiente muito complexo, com múltiplos pontos de comunicação, de visibilidade limitada, sem centralização, com versões múltiplas, duplicação de esforços e com falta do controlo». A Mexx é especialista no vestuário feminino, masculino e infantil, assim como em acessórios, e possuiu ainda outlets independentes e um site de Internet. O objectivo deste novo software PLM é aumentar a visibilidade da informação dentro da empresa e entre os seus vendedores que, como Reeve confirma, «vai ajudar a empresa a ser mais rápida, a reduzir custos e a ficar mais integrada».

Colaboração flexível A implementação do software FlexPLM tem em vista melhorar a colaboração com os vendedores. A Mexx continuará a usar o software PDM (Product Data Management) para a linha de planeamento, desenvolvimento de produto, etc., mas alimentará as previsões com informação do FlexPLM. Desse modo, os sistemas ERP (Enterprise Resource Planning) assegurarão as transacções financeiras e a gestão do inventário. Os dados estarão acessíveis a todos os empregados, em todas as fábricas, acabando assim por reduzir a carga de trabalho. «Perguntámo-nos como queríamos trabalhar com as nossas fábricas e com os nossos produtos», explicou Reeve. «Decidimos ser mais transparentes e ter mais confiança nas fábricas que connosco trabalham, encarando-as como nossos sócios». Pode soar fácil no papel, mas colocar todo este processo em prática, num negócio com um portefólio de 43 marcas, como a C&C Califórnia e a Ellen Tracy, passando pela DKNY – e tendo em vista novas aquisições -, torna-se sempre complicado e trabalhoso. A Liz Claiborne Inc tem centros de produção e escritórios espalhados pela Ásia, Europa, Índia e Caraíbas e possui cerca de 14.000 empregados, «muita gente espalhada por muitos locais distintos», sublinhou Reeve. E, desde que a Mexx se juntou à Liz Claiborne, a marca tem sido crucial na forma como o grupo tem vindo a encarar o desenvolvimento de produto, assim como as entregas dos produtos, que passaram a ser processadas de uma forma mais rápida, abandonando o tradicional prazo de um ano. «Tornámo-nos mais verticais e mais rápidos, fazendo produtos em 20 semanas ou menos», explica Reeve. «Temos ainda produtos que são fabricados num ciclo de 35 semanas, mas 10% a 20% da linha realiza-se num ciclo de 8 a 10 semanas, de forma a acompanharmos as tendências da moda».

A visibilidade no desenvolvimento do produto Uma vantagem-chave do PLM é a visibilidade através do processo de desenvolvimento do produto. As equipas de projecto internas e os fornecedores globais colaboram simultaneamente em projectos de produto, para que seja possível controlar e aceder aos dados do produto. Por exemplo, quando um designer cria um novo teste padrão, as mudanças são comunicadas a todos os envolvidos no projecto. Os softwares PDM e PLM permitem que esta informação seja comunicada automaticamente a todos envolvido – dos fornecedores às fábricas – e seja analisada ao pormenor. A palavra final é do director do marketing e produtos do PTC, Matthew Austin, que afirma que «as pessoas não podem começar a baixar em termos do custos. Deste modo, a única forma que as empresas têm para se diferenciarem é através do marketing ou do design, e os designers não querem ser distraídos com outras funções».