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MFA: sucesso sem meias-tintas

As apostas na inovação constante e no crescimento sustentado fazem parte da receita para o sucesso da Manuel Fernando Azevedo.

Com Inglaterra como principal mercado, a produtora de meias, que nas suas três unidades fabris emprega cerca de 400 pessoas, encara todavia com alguma prudência os próximos tempos. O impacto do Brexit é ainda difícil de avaliar na sua globalidade, mas em 2016 houve já alguns indicadores menos favoráveis. «Para já, o impacto foi ligeiro», afirmou Manuel Azevedo na edição de maio do Jornal Têxtil, mas «em Inglaterra vendeu-se menos têxteis, as pessoas compraram menos, foi um ano mau para Inglaterra», admitiu o administrador.

Toda a produção do grupo, que se situa em cerca de 24 milhões de pares, tem como destino os mercados externos, onde além do Reino Unido se destacam ainda Dinamarca, Noruega e Holanda, mas também Espanha, Suíça, Irlanda, Bélgica, Áustria, África do Sul e Malásia. Indiretamente, o Japão é também um destino, através da cliente New Balance.

Com uma gama de produtos direcionada para diferentes atividades desportivas, do futebol ao running e ao ski, a empresa procura incorporar novos desenvolvimentos na sua oferta. Embora um projeto de inovação que envolvia o Citeve e a Cespu não tenha avançado, «continuamos a desenvolver algumas das ideias», nomeadamente no que diz respeito «à multifuncionalidade que se espera de uma meia de futebol», revelou Manuel Azevedo. Entre os conceitos em estudo e conceção estão «pontos de pressão e pontos de proteção ao impacto, com diferenciação esquerda-direita de uma forma mais eficaz do que a que é feita hoje», assim como «uma tecnologia antiderrapante», adiantou o administrador. «Estamos a integrar isto paulatinamente em todos os desenvolvimentos que fazemos. O projeto que não foi para a frente foi ter tudo isto estruturado numa meia testada e certificada», explicou.

A Ispo Munich tem sido, nos últimos dois anos, o palco privilegiado para mostrar a gama de produtos e apresentar as valências de produção da produtora de meias ao mercado. «Já duas vezes antes tínhamos participado em feiras, em Itália, mas eram de cariz diferente. Nos tempos modernos, a primeira experiência foi no ano passado. Aprendemos algumas coisas e viemos de outra maneira», reconheceu Manuel Azevedo. A apresentação em 2017 decorreu, por isso, em moldes muito diferentes, com um stand com o triplo da área. «Mudámos de tal forma que muita gente nos confunde com uma marca. Se calhar temos de nos transformar numa marca», confessou.

Com 2016 a acusar o abrandamento do crescimento, que se manteve em linha com o ano anterior, a Manuel Fernando Azevedo, que faturou cerca de 17 milhões no ano passado, mostra-se comedida nas expectativas para este ano. «Os objetivos são de manutenção, o que se pode considerar bom, se se concretizar», concluiu o administrador.