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Micam ganha força na união

A feira de calçado realizou-se em paralelo com outros certames, incluindo de joalharia, e, em conjunto, atraíram mais de 16 mil visitantes, sobretudo italianos, mas também de países vizinhos, como Suíça, Alemanha e França, num sinal positivo para o relançamento do negócio que as empresas portuguesas não quiseram perder.

[©Micam]

A Micam acabou por ser uma espécie de barómetro do regresso do negócio de calçado no pós-confinamento, num evento mais vasto que contou com o contributo de feiras paralelas, como a Mipel, dedicada a artigos em pele e acessórios, a A New Point of View, um formato especial da Lineapelle, dedicada ao artigos em pele semi-acabados, a Homi Fashion & Jewels Exhibition, que se centra em joalharia e acessórios de moda, e ainda a TheOneMilano Special featured by Micam, vocacionada para o pronto-a-vestir de senhora de gama alta.

Eurico Brilhante Dias e João Correia Neves [©Apiccaps]
#strongertogether foi o mote desta edição, que se realizou de 20 a 23 de setembro, onde estiveram presentes cerca de 500 expositores e mais de 16 mil compradores, 25% dos quais internacionais, sobretudo da Suíça, Alemanha e França, o que, na visão da organização, «é uma prova de que o mercado está a voltar e pronto para recomeçar com dinamismo e determinação». Além disso, «compraram efetivamente, embora de uma forma contida que reflete as dificuldades do momento atual».

Como reforça Siro Badon, presidente da Micam, «esta edição teve lugar num momento histórico sem precedentes. Recebemos o agradecimento dos operadores pela nossa coragem e tenacidade em ir para a frente com a feira. Sem dúvida representou um momento de relançamento do negócio e tem sido a força motora para outros eventos com os quais foram criadas sinergias».

A resistência portuguesa

De Portugal estiveram 33 expositores apoiados pela APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. «Não podíamos ficar ausentes se nos queremos posicionar no mercado», destaca, num vídeo sobre a presença nacional, José Leite, responsável de comunicação da YFF – Young Fashion Footwear, a marca da empresa de calçado Deshoes, que nasceu no meio da pandemia e, em Milão apresentou a sua primeira coleção. «Ao decidirmos vir aqui, estamos a posicionar-nos. Estamos a dizer “estamos aqui, vamos embora, vamos à luta, vamos comunicar aquilo que temos para vender”», aponta.

Já a Carité apresentou um novo produto desenhado com a «preocupação ambiental» em mente, revela Pedro Ramos, diretor comercial da empresa. «É uma linha de sapatos em que estamos a usar materiais provenientes da natureza. Por exemplo, no caso da sola estamos a usar borracha natural e pensamos que será o melhor componente tendo em conta a sua proveniência. Depois, na parte da construção do sapato, começamos a usar algodão orgânico e, por outro lado, misturamos com outro componente que provém dos animais, em que é retirada a pele depois do consumo da carne», explica.

YFF [©YFF]
A comitiva portuguesa foi visitada por João Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia, que se comprometeu apoiar o sector, depois deste ter perdido 19% das exportações. «O que iremos fazer nos próximos instrumentos, nomeadamente no programa de recuperação no quadro financeiro plurianual, é dar mais força àquilo que são os apoios que se dirigem, como podemos verificar, a produtos ambientalmente mais sustentáveis, maior inovação de produto e de processo, atividades formativas que permitam que os trabalhadores adquiram as competências necessárias àquilo que são as mudanças», referiu.

Também Eurico Brilhante Dias, Secretário de Estado da Internacionalização, salientou que «o mercado continua a funcionar de forma muito desequilibrada e precisa de intervenção política», apontando para uma extensão do sistema atual de apoios para além de dezembro.

Digital dá ajuda

Além da edição física, a organização da Micam criou ferramentas digitais para alimentar os negócios, incluindo apps, catálogos inteligentes e websites que permitem que o contacto entre expositores e compradores continue sem os limites das viagens internacionais.

«A pandemia, que está constantemente a mudar de forma, criou problemas para o nosso sector produtivo, dificuldades que foram experienciadas em primeira-mão na Micam. Mas estamos esperançados para o futuro, queremos ser os primeiros a criar oportunidades para as empresas na cadeia de aprovisionamento e apoiá-las numa base diária. Porque só podemos sair de uma situação como esta trabalhando como equipa, todos a remar na mesma direção», afirma Siro Badon.

[©Micam]
O presidente da Micam sublinha que «toda a indústria produtora de moda está a pagar os efeitos desta crise, com um declínio significativo no volume de negócios, sobretudo nas exportações. É evidente que, para ultrapassar esta fase, é também necessária ajuda externa – refiro-me, em particular, às instituições que têm concretamente de apoiar estes eventos. As empresas têm de ser apoiadas através de incentivos económicos e menos impostos. Feiras como a Micam não são apenas um momento insubstituível no que se refere a fazer negócio, mas também um veículo para dar visibilidade internacional à excelência do “made in Italy”, que é representado pelas empresas do nosso sector».