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Microfibras de denim chegam ao Ártico

O risco de micropartículas desprenderem-se de fibras obtidas de forma sintética encontra-se já bem documentado. No entanto, uma nova investigação detetou agora microfibras de denim índigo no oceano Ártico.

[©Snow Brains]

O estudo, publicado pela Environmental Science & Technology Letters da American Chemical Society, descobriu que as microfibras provenientes de jeans estão muito mais presentes nos oceanos do que aquilo que se pensava.

A lavagem do denim, e também de outros tecidos, liberta microfibras para as águas residuais e, embora a maior parte das microfibras seja eliminada nos tratamentos de efluentes, é provável que algumas penetrem no meio ambiente através das descargas de resíduos, o que gera poluição, tendo em conta que os jeans são produzidos com fibras de algodão processadas com um corante índigo e outros químicos sintéticos para melhorarem a performance e a durabilidade.

Miriam Diamond, Samantha Athey e outros investigadores da Universidade de Toronto utilizaram uma combinação de microscopia e espectroscopia Raman para identificar e contar as microfibras de denim índigo em várias amostras de água recolhidas no Canadá, noticia o just-style.com.

O denim índigo representou 23%, 12% e 20% de todas as microfibras e sedimentos presentes nos Grandes Lagos da América do Norte, em lagos rasos suburbanos perto de Toronto, no Canadá, e no arquipélago Ártico canadiano, respetivamente. Apesar da grande abundância de microfibras de denim registada nos Grandes Lagos, a equipa de cientistas detetou apenas uma única microfibra de denim no aparelho digestivo de um peixe.

Com base nos níveis de microfibras encontrados nas águas residuais, os investigadores estimaram que as estações de tratamento de efluentes sob análise descarregavam cerca de mil milhões de microfibras de denim índigo por dia. Em experiências de lavagens, constataram que um único par de jeans usados podia libertar cerca de 50 mil microfibras por ciclo de lavagem.

Recomendações

Mesmo que a equipa não tenha conseguido provar se as microfibras afetam ou não a vida aquática, têm a certeza de que uma forma de reduzir a libertação de microfibras e, consequentemente, poluição passa pelos consumidores lavarem os jeans menos frequentemente. Além disso acrescentam que terem sido encontradas microfibras no Ártico é um forte indicador do impacto dos seres humanos no meio ambiente.

 

[©HuffPost Canada]
Outra investigação publicada no início do ano sugere que a quantidade de detritos microplásticos nas águas costeiras pode ter sido significativamente subestimada, enquanto outro estudo revelou que mudar para um processo de lavagem de roupa mais rápido, a temperatura mais baixa e com máquinas mais eficientes pode evitar a libertação de toneladas de microfibras nos ecossistemas marinhos.