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Microplásticos podem danificar pulmões

Os microplásticos largados pelos têxteis podem inibir a capacidade do pulmão para reparar danos causados por doenças como a Covid-19, alertam os cientistas. Neste sentido, a poliamida e o poliéster foram destacados negativamente com solução à vista nas opções biológicas.

[©Freepik]

Um estudo elaborado pela Groningen Universit, The Netherlands Organization for Applied Scientific Research e Plymouth Marine Laboratory, descobriu que a poliamida e o poliéster têm um impacto negativo no crescimento e na reparação do tecido das vias respiratórias, fibras essas que são libertadas para o meio ambiente com o uso das peças de vestuário, assim como pelo desgaste, lavagem e secagem das mesmas.

Na análise, os investigadores expuseram as vias respiratórios e os organoides dos sacos aéreos a microfibras de poliamida e poliéster ao longo de 14 dias, de modo a determinar os efeitos causados por estes compostos, certificando-se que utilizaram fibras com dimensão suficiente para serem inaladas.

Os resultados resultantes do estudo, sugerem que a fibra têxtil microplástica pode lesar tanto as vias respiratórias em desenvolvimento como as vias respiratórias em reparação.

Tendo em conta que a exposição do ser humano às fibras microplásticas acontece diariamente com o uso do vestuário, os cientistas alertam ainda para os potenciais riscos da saúde, principalmente nos casos em que os pulmões se encontram em desenvolvimento, como acontece no caso de crianças.

«Um vírus danifica os pulmões, então se precisarmos de reparação e se os pulmões estiverem cheios de fibras que inibem esse reparo, teremos outro problema para além do Covid-19», afirma Barbro Melgert, investigador principal do estudo, ao just-style.com.

Laura Díaz Sánchez, ativista da Ocean Clean Wash, disse no The Plastic Health Channel que as microfibras presentes no vestuário estão também em ambientes interiores, além de se soltarem durante a lavagem. «Mais da metade da roupa que usamos é feita com materiais como o poliéster. O problema do vestuário fabricado com de materiais como o poliéster, fibras que são curtas, é que se soltam muito mais facilmente e depois são libertados mais facilmente no ar», explica a ativista, acrescentado que a ligação entre os têxteis e os microplásticos tem sido muito estudada ao longo dos últimos anos.

Em setembro, um estudo da University of California Santa Barbara concluiu que as fibras sintéticas do vestuário contribuem para grande parte da poluição no planeta causada por plástico. De acorco com esta investigação, 176.500 toneladas métricas de microfibras sintéticas, principalmente poliéster e poliamida, são lançadas anualmente no ambiente terrestre a nível global.

Ainda segundo o estudo, cerca de metade das emissões totais de microfibras sintéticas desde 1950 aconteceu apenas na última década, alimentada pela tendência de fast fashion e pelo uso de fibras sintéticas, mais baratas, produzidas massivamente.

Também no início do ano, um artigo científico da associação de conservação Ocean Wise concluiu que as fibras de poliéster são responsáveis por quase três quartos da poluição microplástica do Oceano Ártico. Este estudo levantou novas preocupações sobre o pepel dos têxteis, da lavagem e das descargas de águas residuais na contaminação dos mares mais remotos do mundo.

Opções biológicas

Os materiais de base biológica podem ser uma forma de reduzir os plásticos nas cadeias de aprovisionamento de. Embora a adoção de materiais de base biológica seja encorajada, a procura excede em muito a oferta.

[©Ocean Clean Wash]
Os materiais de base biológica incluem desde couros convencionais e “couros” não-animais, que contêm resíduos de frutas ou vegetais combinados com polímeros sintéticos, até tecidos de algodão puro ou misturas de algodão e poliéster. Já os ingredientes biofabricados incluem apenas unidades produzidas por micróbios, para polímeros naturais e sintético, com a seda e a poliamida, respetivamente.

Os materiais biossintéticos abarcam a produção de compostos químicos para polímeros sintéticos, como os precursores para a poliamida e o poliéster, obtidos por reação catalítica de biomassa ou biofabricados por micróbios através de processos de fermentação, enquanto os materiais bioagregados abrangem os “couros” cultivados por micélio, bactérias ou células de mamíferos.

A barreira para adotar estas alternativas está não só no facto de a maioria das inovações estar ainda em estádios iniciais de desenvolvimento, mas também no desafio que representa escalar inovações que têm de ser absorvidas pelas cadeias de aprovisionamento existentes.