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Microsoft avança para transformar a moda

A parceria da Microsoft com a start-up tecnológica Eon quer dar uma identidade digital a milhões de peças de vestuário, aumentar a transparência e alargar a relação das marcas com os consumidores além da venda de artigos, potenciando novos modelos de negócio circulares, como o aluguer ou guarda-roupas digitais.

[©Microsoft]

As duas empresas planeiam ter 400 milhões de produtos online até 2025, criando o que chamam de fundação digital para a economia circular na moda, vestuário e retalho.

A ideia é que cada peça de vestuário existente no mundo possua um código QR ou uma etiqueta Rfid, dispondo assim de uma “impressão digital” ou um “gémeo digital”. Na plataforma, que foi batizada Connected Products, alimentada pela Microsoft Azure, cada um dos produtos terá um perfil digital com toda a informação individual, nomeadamente onde foi confecionado, instruções de cuidados e composição.

A Eon vai gerir este perfil digital de acordo com o CircularID Protocol, permitindo que a peça de vestuário fique conectada ao longo de todo o seu ciclo de vida, da produção à venda, utilização, reutilização e reciclagem. «Esta linguagem partilhada torna possível que a peça de vestuário comunique com a marca, o consumidor, o revendedor e quem a recicla, para podermos assegurar que esses produtos e materiais são otimizados e nunca perdidos ou desperdiçados», explica Annie Gullinsrud, diretora de estratégia da Eon.

Será assim possível, às marcas e retalhistas, ter uma visão de 360º do ciclo de vida do produto e identificar e gerir produtos através de modelos de negócio circulares ou redes de parceiros.

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O objetivo último é que a plataforma Connected Products da Eon amplie o âmbito da relação da marca com os consumidores além da venda e torne possível, para marcas e retalhistas, explorar novas fontes de rendimento e escalar novos modelos de negócio circulares, como o aluguer, revenda, guarda-roupa digital, trocas entre pares, serviços de styling, reutilização e reciclagem.

«Historicamente, a relação entre a marca, o seu cliente e o produto termina no momento em que o produto é vendido. A plataforma da Eon permite, às marcas, construir uma relação contínua com o consumidor, alinhando o negócio e a sustentabilidade de formas que nunca antes foram possíveis», afirma Natasha Franck, fundadora e CEO da Eon.

Novos modelos de negócio

A visão da empresa é que uma marca seja capaz de monetizar um produto várias vezes, de forma a que tenha mais valor quanto mais circular for o seu ciclo de vida.

«A introdução da Connected Products à escala de toda a indústria muda a retórica da moda. Historicamente, vender dois produtos sempre foi mais rentável do que vender um – colocando a sustentabilidade em contradição com o negócio no retalho de moda. Com a Connected Products, as marcas são capazes de gerar receitas contínuas, o que significa que já não precisam de confiar na produção e venda de mais produtos novos como única forma de gerar volume de negócios», aponta a Eon.

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A Connected Products também abre o potencial de um canal de comunicação de duas vias entre as marcas e os consumidores, tornando possível afastar-se de relações puramente transacionais. Por exemplo, as marcas serão capazes de comunicar com o cliente muito depois do ponto de venda, partilhando tudo, desde instruções de revenda a informações de styling, ao mesmo tempo que permitem ao consumidor comunicar de volta com a marca e dar feedback, partilhar fotos ou voltar a encomendar as peças favoritas.

«A plataforma de Internet das Coisas da Eon alimentada pela Microsoft pode transformar o negócio da moda – canalizando o potencial disruptivo de tecnologias como a inteligência artificial e o blockchain para impulsionar a transição da indústria para uma economia circular», acredita a Eon.

A marca epónima da designer Gabriela Hearst, que se apoia em valores de sustentabilidade, foi a primeira a introduzir produtos comerciais com a Eon, com as peças que fazem parte da coleção primavera-verão 2020 a terem já uma identidade digital.