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Miguel Vieira a cores

A dicotomia preto/branco continua a marcar o compasso nas criações do consagrado designer português, mas na sua mais recente coleção, para o outono-inverno 2016/2017, Miguel Vieira decidiu apresentar formal – no nome dado à coleção – e simbolicamente – nos significados dados a cada tom – a cor aos seguidores da marca.

O criador de moda continua a citar a metáfora da escadaria para falar da sua carreira e, em declarações ao Portugal Têxtil, refere o segundo desfile na semana de moda de Milão, no passado mês de fevereiro, como mais um degrau subido, sendo que «para Milão estar conquistado, ainda faltam muitos degraus», acredita.

Da bagagem chegada de Milão, a par do sentimento de dever cumprido, trouxe Miguel Vieira as notas de cor da coleção de homem e senhora dedicada à próxima estação fria, apresentada a um público que lhe reconhece o preto e o branco clássicos como assinatura.

Escolheu o nome “Cor” «porque quando se fala de Miguel Vieira fala-se sempre no preto e no branco. E a minha coleção normalmente tem muitas cores, mas quando chega a altura do desfile, vou sempre picar o preto e o branco», analisa, acrescentando que «queria mostrar aos clientes e ao público em geral que a coleção tem cor», explica o criador sobre a coleção, que acaba por estar impregnada de simbolismo.

«A ideia são as sensações que cada uma das cores transmite, o amarelo transmite-nos se calhar alegria, o azul tranquilidade, o preto nostalgia, o branco paz de espírito e a ideia é que, cada pessoa, ao assistir ao desfile, experimente as sensações que essas cores transmitem», introduz sobre a paleta.

Marcada por silhuetas estruturadas e informais, alturas longas e extra longas que mal deixavam conhecer o calçado nas modelos e pelo fit largo – em mulher – e fatos estruturados e calças de corte irrepreensível – em homem –, a coleção, que já desfilou pelas passerelles de Milão, Lisboa (ModaLisboa) e Porto Portugal Fashion), brinda também a materiais nobres como a caxemira.

«A base da coleção tem sempre os melhores lanifícios italianos – Marzotto, Loro Piana, Zegna, todos fabricantes de tecidos italianos com os quais trabalho. A palavra-chave é caxemira, que é uma matéria-prima muito nobre e com a qual gosto de trabalhar. Depois tenho sedas, puras lãs», revela o designer, salientando ainda a mistura de pelos que acabou por «emprestar tridimensionalidade» a algumas das peças, que deram, mais uma vez, uma lição sobre sofisticação, em pormenores como lenços, num look Miguel Vieira.