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Milagrus quer ser mais do que uma marca

Os padrões são inspirados em África, mas os tecidos e os estampados chegam da Ásia. Mais do que uma marca, a Milagrus assume ser uma causa social e ambiental que quer conquistar o mundo com coleções intemporais.

Vanda Eugénio

Desde 2003 que os destinos de Vanda Eugénio se cruzam com as culturas do sul do Pacífico. Numa partilha de ideias e valores nasceu a Milagrus, assente na autenticidade dos processos artesanais.

«A Milagrus existe há quase 20 anos. Eu desenvolvia as coleções e vendia através de uma rede de lojas próprias que tinha na Nazaré, Póvoa de Varzim, Vila Nova de Mil Fontes, mas depois tornou-se uma logística difícil porque vivia muito tempo fora», conta ao Portugal Têxtil.

Com os pontos de venda começaram a surgir lojas multimarca interessadas em comercializar as coleções idealizadas por Vanda, que começou assim a iniciar uma rede de distribuição. Há cerca de sete anos, quando regressou definitivamente de Angola, decidiu encerrar as lojas e dedicar-se apenas à marca. «Concentrei-me na revenda, portanto as coleções são minhas, sou eu que as desenho, assim com os padrões, e vendo para lojas», revela.

Projeto sustentável

Angolana de gema, é no continente africano que bebe inspiração, mas os tecidos e os estampados chegam da Indonésia, a sua segunda casa. «Os tecidos são feitos à base de uma fibra vegetal, da polpa de madeira, e ainda utilizo processos centenários de varrimento de tintas com os screens, que antigamente se usavam em serigrafia», explica a fundadora da Milagrus, que produz em média 200 peças por coleção.

Com um público-alvo centrado em mulheres acima dos 30 anos e um posicionamento médio-alto, cada vestido da marca ronda os 100 euros. «São coleções muito pessoais, pouco industrializadas. Somos assumidamente uma marca slow fashion, porque é tudo feito à mão», afirma.

Por detrás da Milagrus há ainda toda uma envolvência da marca com um grande projeto comunitário e social na Indonésia. «Pagamos um preço justo, não desvalorizamos o trabalho de ninguém, portanto o que pago em Portugal pelo preço do metro do tecido, pago na Indonésia. Isso, para mim, é muito importante», garante a empresária.

Com as vendas centradas em Portugal e Espanha, mercado este onde realiza o maior volume de negócios da marca, Vanda Eugénio pretende agora apostar nos EUA. «É um mercado com mais poder de compra, que trabalha muito com moda de praia. Pelo feedback que tenho recebido de várias colegas francesas, inglesas e gregas que têm estabelecido negócios lá, é um mercado muito bom», acredita.