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Milão sobe à passerelle em janeiro de 2021

Ao contrário de Londres, que cancelou a semana de moda masculina em janeiro, mas mantém a de moda feminina para fevereiro, Milão confirma a realização das suas duas semanas de moda, nos meses tradicionais, com desfiles «mais digitais ou mais físicos, dependendo da evolução da pandemia».

Versace (pimavera-verão 2021) [©Wondernet Magazine]

A próxima semana de moda masculina de Milão, consagrada às coleções outono-inverno 2021/2022, está agendada para 15 a 19 de janeiro e a edição feminina para 23 de fevereiro a 1 de março.

«Confirmamos as nossas datas. [Os nossos eventos] serão mais digitais ou mais físicos, dependendo da evolução da pandemia», afirmou Carlo Capasa, presidente da Camera Nazionale della Moda Italiana, a entidade responsável pelos certames, na 25.ª Pambianco Summit, realizada no passado dia 11 de novembro, citado pela agência AFP.

Já em Londres, o British Fashion Council cancelou a próxima edição de moda masculina, prevista para janeiro, em resultado da segunda vaga de Covid-19, do Brexit e da vontade de repensar o certame. A edição tradicionalmente dedicada à moda feminina continua agendada para 19 a 23 de fevereiro e os criadores de moda para homem estão a ser incitados pela organização a integrar este certame.

Carlo Capasa [©Pambianco Summit]
Em resposta ao surto do novo coronavírus, a semana de moda de Milão, à semelhança das suas homólogas, aderiu também ao formato digital desde o verão, mas algumas casas de moda mantiveram os desfiles físicos. Carlo Capasa sublinhou, em setembro último, que a semana de moda «figital» de Milão – durante a qual foram exibidas 156 coleções entre apresentações e desfiles e um espaço de showrooms com 300 marcas – tinha registado à volta de «45 milhões de visualizações, um recorde absoluto e incrível, [fazendo de Milão] a plataforma número um das semanas de moda no mundo em termos de visualização».

«Foi uma operação de resiliência italiana», reconheceu, «mas o “tocar e sentir” na moda é insubstituível e esperamos poder voltar em breve aos encontros físicos», admitiu.

Moda com peso e sem medidas

A moda é a segunda maior indústria produtora em Itália e tem sido, como um pouco por todo o mundo, gravemente afetada pela crise sanitária. Segundo um inquérito da Confindustria Moda, a principal associação empresarial do sector, a indústria da moda perdeu 29 mil milhões de euros de volume de negócios nos primeiros nove meses do ano.

Cirillo Coffen Marcolin [©Pambianco Summit]
No terceiro trimestre, as empresas inquiridas registaram uma queda de 27% nas vendas, depois de -39% no segundo trimestre e -36% no primeiro, revelou o presidente da Confindustria Moda, Cirillo Coffen Marcolin, durante a Pambianco Summit.

Face a um sector que representa 41% da produção europeia em termos de moda/acessórios, bem à frente da Alemanha (cerca de 12%) e da França (8%), e mais de 60% da produção de gama alta a nível mundial, Carlo Capasa solicitou ao governo italiano a adoção de medidas de ajuda específicas para a indústria de moda do país.