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Ministro regressa aos têxteis-lar

Manuel Caldeira Cabral esteve ontem na inauguração do novo polo logístico da J.F. Almeida – um investimento de 1,5 milhões de euros que aumenta a capacidade de armazenagem da empresa de têxteis-lar para o equivalente a 160 camiões TIR. Antes de regressar a Lisboa, o Ministro da Economia visitou ainda a Lameirinho.

Foi apenas na semana passada que Manuel Caldeira Cabral percorreu os stands das empresas portuguesas na maior feira de têxteis-lar, a Heimtextil (ver Ministro da Economia distingue têxteis-lar). Ontem, contudo, o Ministro da Economia veio conhecer a realidade industrial por detrás dessas apresentações. «O que vi em Frankfurt, e o mesmo que vi aqui em Guimarães, é um sector que hoje já não fala de problemas como falou no passado – hoje fala de soluções, fala de crescimento, fala de novas tendências e tem toda esta nova conversa, que é uma conversa positiva, porque soube nos momentos difíceis tomar as decisões difíceis, investir, apetrechar-se melhor tecnologicamente, diferenciar-se, apostar em inovação, em novos materiais e apostar também no design», afirmou no final das visitas Manuel Caldeira Cabral.

Horas antes, tinha descerrado a placa comemorativa da inauguração do novo polo logístico da J.F. Almeida. A empresa com produção vertical – da fiação à confeção – investiu 1,5 milhões de euros na construção destas novas instalações, que permitem aumentar a capacidade de armazenagem para 4.400 paletes, o equivalente a 160 camiões TIR, e melhorar a eficiência e a capacidade de resposta da empresa, que atualmente produz 500 toneladas de fio e 400 toneladas de tecido por mês, e, por ano, confeciona mais de 9 milhões de artigos acabados. «O objetivo é ter mais organização mas fundamentalmente dar melhor serviço aos clientes», explicou, ao Portugal Têxtil, o presidente do conselho de administração da empresa, Joaquim Almeida.

Aproveitando a presença do Ministro da Economia, o presidente do conselho de administração da J.F. Almeida deu ainda conta de algumas questões que estão a preocupar a empresa, nomeadamente os aumentos previstos nos custos energéticos, que atualmente representam já 10% do volume de negócios da empresa, que se cifra em 36 milhões de euros, as questões laborais e a classificação das empresas. «Para a nossa indústria têxtil ter futuro, estes custos energéticos começam a ser incomportáveis», afirmou Joaquim Almeida ao Portugal Têxtil, destacando ainda a falta de acesso aos apoios disponibilizados às PME’s da empresa, «simplesmente porque tem mais de 250 trabalhadores [no total emprega 450 pessoas]. Pergunto eu: precisamos de criar emprego e vamos meter um entrave por causa do número de trabalhadores? Se queremos crescer, este país precisa de emprego. Acho que essa situação devia ser revista e muito rapidamente», defendeu. «Acho muito bem que apoiem as PME’s, que também são o futuro deste país, mas não faz sentido que quem mais emprego cria também não ter acesso a esses benefícios», acrescentou.

Nada, contudo, que tenha impedido o crescimento da empresa fundada em 1979, que exporta 85% da produção para mais de 40 mercados. «A J.F. Almeida está na linha da frente porque entende que o futuro é esse, o investimento em novas tecnologias, mas ter o apoio do Ministro da Economia é óbvio que nos dá outra força», confessou Joaquim Almeida ao Portugal Têxtil.

Manuel Caldeira Cabral fez, de resto, questão de sublinhar que quer estar «ao lado dos empresários», num discurso onde destacou ainda «os valores» das empresas, sobretudo as da região.

Já em Pevidém, cerca de sete quilómetros percorridos, o Ministro da Economia chegou à Lameirinho para conhecer as valências industriais da empresa fundada em 1948. Da tecelagem aos vários showrooms, sem esquecer a estamparia – nomeadamente na sua versão digital –, Manuel Caldeira Cabral confessou-se impressionado. «A Lameirinho é uma referência neste sector. É uma empresa já com muitos anos e muita tradição, mas é uma empresa que demonstra que ter muitos anos e ter muita tradição não implica que não seja uma empresa nova e inovadora. Tive o convite para vir aqui às instalações da empresa, visitar a fábrica, e quis aceitar porque achei que era importante vermos as empresas a funcionar. É uma empresa que tem muito passado mas esperamos que tenha muito mais futuro», afirmou o Ministro da Economia.

Uma visita que, segundo revelou, ao Portugal Têxtil, Paulo Coelho Lima, administrador da Lameirinho, permitiu «sensibilizar para os problemas que temos no dia a dia. No fundo, se forem facilitadores e se o Ministério puder ajudar, seria ótimo». A presença do Ministro da Economia foi ainda aproveitada para «transmitir o bom momento da têxtil, que também acho que é importante. Se calhar temos sido um bocadinho os “patinhos feios” e com esta promoção e com alguma cobertura jornalística, está a ser possível ver a parte boa da têxtil», concluiu.