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Mito ou realidade?

”Romance de um guarda-roupa, a elegância de uma parisiense desde a Belle Epoque aos anos 30”: o museu Carnavalet, em Paris, consagra uma exposição dedicada àquela que foi a primeira vendedora da casa de moda Chéruit. Vestidos das marcas Worth e Lanvin surpreendem os visitantes. Durante a Primeira Guerra Mundial, os tecidos eram menos luxuoso, os cortes mais simples, no geral sóbrios, mas elegantes. «Este guarda-roupa simboliza a elegância francesa no seu auge», resume Christian Gros, co-curador da mostra. «Paris é a capital da moda desde a Idade Média (…), mas essa ideia da parisiense, que deve ser elegante, nasce no final do século XIX e início do século XX», revela. Como é que um século depois, as mulheres vestem-se na Zara, H&M ou Gap independentemente de viverem em Tóquio, Nova Iorque ou Paris? As cidades têm, no entanto, o seu próprio estilo. Para o designer americano Tom Ford, ex-diretor criativo da Yves Saint Laurent e da Gucci, Londres é «uma das poucas cidades onde as pessoas se vestem adequadamente». Quanto aos franceses… «não há ninguém menos atraente do que eles» disse ao jornal britânico The Telegraph o criador do movimento porno-chique na década de 90. Apesar do que sustenta Ford, este estilo continua a seduzir. O livro “La Parisienne” de Inès de la Fressange, publicado em 2010, vendeu mais de um milhão de exemplares em todo o mundo e foi traduzido em 17 línguas. A ex-modelo morena, de cabelos curtos e pernas longas, símbolo da parisiense elegante e sedutora, dá conselhos para ter «a atitude “made in Paris”». A parisiense é “anti- bling”, sente-se confortável na sua roupa e nunca é apanhada na «ratoeira das tendências»… Outra embaixatriz do chique parisiense, Nathalie Rykiel, aborda «as diferentes formas de elegância hoje», no seu livro “A elegância”, que acaba de ser lançado em França. «Acho que há uma atitude francesa, algo de muito subtil», afirma. «Isso existe em especial aos olhos dos estrangeiros», explica a filha da criadora de moda Sonia Rykiel . Nathalie refere a sua professora americana de pilates, «uma jovem atraente» que lhe pergunta frequentemente «o que é que vocês, francesas, têm? Como posso aprender?». Não é fácil definir essa elegância “à la française”. «Não pode ser algo arrogante (…) Ela resulta de uma mistura de sensualidade e de bom gosto», tenta definir Nathalie Rykiel . «Uma elegância que dá a impressão de ser inata. Se há algum esforço, ele é impercetível», esclarece. Para Danielle Luquet Saint Germain, musa de Yves Saint Laurent na década de 60 e que acaba de leiloar a sua magnânima coleção de alta-costura, «reconhece-se uma francesa e uma parisiense». «É uma aparência, uma atitude. Podem ser uns brincos discretos. Não é algo chamativo como uma carteira com o logótipo visível», descreve Luquet Saint Germain. «Pode ser da Zara ou da H&M. Uma camisa branca, uns jeans e uns bons sapatos. Um belo porte e é tudo». Um estilo oposta às «mulheres muito vistosas com sapatos demasiado altos com os quais não sabem andar», contrapõe. Uma outra obra, publicada no início de outubro, mergulha nesta temática. “As horas loucas da vida de uma parisiense”, de Guénolée Milleret, historiadora de moda, e de Angéline Mélin, ilustradora, oferece um “menu” de tendências. O assunto é inesgotável…