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Mix de produto vital na cadeia de produção – Parte 1

O galopante aumento da globalização, a expansão dos mercados e a volatilidade da moda estão a contribuir para a intensificação da concorrência na cadeia de produção de vestuário, levando as empresas a diversificar os seus produtos numa tentativa de melhorar as suas quotas de mercado.

Esta diversidade é em grande parte determinada por aspectos como o design, toque, tamanho e modelo – e leva a um correspondente e alargado espectro de parâmetros de produção definidos a montante. Estes parâmetros, por sua vez, representam muitas vezes sérios obstáculos no cumprimento dos padrões de qualidade e quantidade, que afectam severamente as hipóteses comerciais de qualquer marca de roupa.

Assim, um dos problemas típicos que as cadeias de produção de vestuário enfrentam é precisamente o agendamento do trabalho e que se torna especialmente complicado pela introdução de uma grande e variada gama de produtos.

Por sua vez, esta complexidade torna mais difícil a gestão de um determinado produto em termos de tempos, custos e respectiva venda. A par deste aspecto, a reposição dos produtos ao longo da cadeia de produção e distribuição assume uma nova dimensão, dado que as compras a nível global estão cada vez mais na ordem do dia, devido à enorme dispersão dos fornecedores das matérias-primas, produção, distribuição e retalhistas por todo o mundo.

Nas actuais circunstâncias, torna-se assim cada vez mais obrigatório conseguir “ter o produto certo, no local certo e no momento certo”.

No entanto, na típica cadeia de produção de vestuário, é geralmente colocado demasiada ênfase no controlo dos factores “espaço”, “tempo” e “preço”, sendo feito pouco esforço para desenvolver o “produto certo”.

Este aspecto revela-se particularmente importante, dado que os consumidores apreendem os artigos de vestuário segundo um conjunto único de atributos.

A chamada Unique Value Proposition (oferta de valor única) de uma peça de roupa é ditada pelas impressões visuais e restantes sensações subjectivas que podem ser definidas de acordo com parâmetros bem objectivos, como o design, conforto e toque.

Cada um destes critérios objectivos é obviamente influenciado pelas diversas características materiais e processuais localizadas a montante da referida cadeia de produção industrial.

Por outro lado, o impacto da proliferação de produtos no mercado pode ser avaliado segundo dois níveis de análise: no retalho e na produção.

No que toca ao retalho, pode ser feita uma gestão das várias unidades e modelos de vestuário, a partir de um determinado tipo de tecido.

Além disso, um retalhista pode pretender que os artigos adquiridos sejam previamente pendurados num determinado tipo de cabide ou embalagem, além de querer que o fabricante coloque nas peças etiquetas com o preço e outros detalhes antes de enviar a mercadoria, e a variedade de acessórios (tipo de botão, gola, fecho, etc.) aumenta ainda mais o grau de exigência a este nível.

Em relação ao nível de produção, as gamas de produtos muito diversificadas implicam igualmente muitos e diferentes aspectos, ao longo das várias fases das operações.

Entre as consequências deste aspecto, contam-se a perda de produtividade, a maior desvalorização dos artigos e a dificuldade no planeamento e gestão dos sortidos de peças.

Ao nível do tingimento das fibras e fios, a necessidade de re-processamento aumenta as dificuldades na obtenção dos tons certos, assim como a interrupção frequente do trabalho das máquinas afim de efectuar a limpeza após usar cada cor diferente.

Além disso, o crescente número de cores, feitios e cortes das peças de vestuário conduz a um menor grau de automatização da maquinaria, pois exige uma maior intervenção humana, com as respectivas quebras de produtividade e eficácia.

Finalmente, esta diversidade de produtos também dificulta o planeamento dos sortidos de peças de roupa.

Com efeito, e para garantir o máximo impacto nos consumidores, a gama completa de uma linha de produtos deve estar sempre disponível, o que obriga a um especial esforço de planeamento e controlo em cada ponto ao longo da cadeia de produção e distribuição de vestuário.