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MMRA multiplica certificações

A produtora de malhas está a trabalhar em novas certificações e até ao final de 2020 deverá juntar à Better Cotton Initiative, que conseguiu no início deste ano, o Global Recycle Standard e o Global Organic Textile Standard, numa altura em que a procura por fibras sustentáveis continua a aumentar.

Ricardo Monteiro

No início do ano, a MMRA – Maria Madalena da Rocha Azevedo & Filhos concluiu a certificação BCI – Better Cotton Initiative e, neste momento, está a ultimar as certificações GRS – Global Recycled Standard e GOTS – Global Organic Textile Standard. A aposta responde a uma crescente procura por artigos mais sustentáveis.

«A procura já existia e servíamos os clientes com a matéria-prima que queriam. A questão é que, neste momento, eles querem ter a matéria-prima certificada. No caso do GOTS é interessante porque todos os intervenientes têm que estar certificados. Se houver uma quebra, o documento não vale – não interessa a tinturaria ter GOTS e a confeção ter GOTS, se o malheiro não tiver GOTS. O produto não pode ser certificado da mesma forma, toda a linha tem que estar certificada», explica Ricardo Monteiro, diretor de exportação da MMRA. «O GRS e o GOTS, que estamos a implementar, deverão estar concluídos até dezembro porque já nos pedem. Não é só pedir a matéria-prima orgânica, querem ter a certeza que realmente a empresa está certificada», revela ao Portugal Têxtil.

A sustentabilidade, de resto, tem estado na ordem do dia, com um aumento das solicitações, incluindo no Modtissimo, em setembro último. «Não foram muitos [os clientes internacionais], mas se calhar 70% dos que apareceram estavam à procura de artigos sustentáveis, orgânicos, reciclados», indica Ricardo Monteiro.

A MMRA oferece há muito opções orgânicas, nomeadamente algodão, fibras consideradas mais ecológicas como o bambu e tem reforçado nos reciclados. «As pessoas já procuram orgânicos há muitos anos, mas aquilo que surge agora é uma necessidade, por parte da consciência dos clientes, de tentar reutilizar fibras que já foram usadas. Daí os poliésteres reciclados, os algodões reciclados e por aí fora», aponta o diretor de exportação. No entanto, afirma, «o algodão e o poliéster normais continuam a ser fibras muito recorrentes».

Em linha com 2019

A empresa vende 95% da sua produção para clientes nacionais, sendo a restante enviada para mercados como a Alemanha e o Reino Unido. Há cerca de quatro anos, as feiras começaram a fazer parte da estratégia da MMRA, que esteve presente na Munich Fabric Start e na London Textile Fair, mas em 2020 fez uma pausa. A ideia, contudo, é regressar às feiras, embora face à situação atual, a incerteza seja ainda muita. «A política da empresa é aguardar e tentar perceber, o mais próximo possível da data, como é que as coisas se comportam na Europa», admite Ricardo Monteiro. Com a situação pandémica em curso, «honestamente, vai ser perceber se vamos ou não vamos às feiras 30 dias antes», reconhece.

Esta ausência dos certames internacionais não tem, para já, grande impacto na atividade da MMRA., até porque, sublinha Ricardo Monteiro, «a percentagem do volume de negócios para exportação é muito reduzida». Contudo, «é óbvio que se não fizermos feiras, não vamos ter novas encomendas, não visitamos mais clientes, eles não vêm ter connosco», assume.

Os contactos atualmente têm sido realizados de forma mais direta, com a empresa a introduzir inclusivamente alguns produtos mais pensados para o mercado internacional, como é o caso dos artigos mais estruturados e jacquards diferentes. «Há clientes que procuram e que não arranjam facilmente fornecedores para estruturas dessas», sublinha o diretor de exportação.

Nos últimos meses, a MMRA manteve os seus 25 funcionários a trabalhar e espera que o volume de negócios fique em linha com 2019. «Curiosamente, não tivemos uma quebra no volume de negócios, contrariamente àquilo que foi a tendência da têxtil, dos nossos parceiros e concorrentes. Não sentimos grandes dificuldades: poderemos ter baixado um bocadinho, mas estivemos muito acima daquilo que eram as expectativas no mercado nacional», salienta Ricardo Monteiro.