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MMRA salta fronteiras

A MMRA - Maria Madalena da Rocha Azevedo & Filhos deu os seus primeiros passos em feiras internacionais no ano passado. A produtora de malhas tem crescido com o mercado interno mas está pronta para explorar o mapa-múndi, estabelecendo como meta atingir uma quota de exportação de 10% a 15% dentro de dois anos.

A MMRA decidiu colocar os mais de 30 anos de know-how também ao serviço de clientes internacionais. A fragilidade do mercado interno deu o empurrão a esta nova estratégia expansionista, mas não foi a única razão. «O volume de trabalho nunca baixou», ressalvou ao Jornal Têxtil Ricardo Monteiro, diretor de exportação e neto do fundador da empresa, num artigo publicado na edição de janeiro. «Mas percebemos que temos várias empresas concorrentes, não necessariamente com menos know-how, mas muito mais recentes do que nós, que estão no mercado externo há mais tempo», explicou. «O trabalho no mercado nacional absorve-nos de tal forma que não parámos para pensar se devíamos ter feito esta aposta há mais tempo», acrescentou.

Com 36 teares circulares, a empresa, que tem uma capacidade produtiva instalada de 250 toneladas por mês, começou o projeto de internacionalização com a presença em feiras profissionais em Londres e Munique, num percurso que pretende ser ponderado e firme. «É complicado entrar nos mercados estrangeiros», admitiu Pedro Freitas, da área administrativa. «Temos trabalhado para clientes espanhóis e alemães, para Inglaterra, mas ainda não deu os frutos pretendidos. Tem que se semear muito», reconheceu ao Jornal Têxtil.

Embora a quota de exportação direta seja ainda inferior a 1%, a MMRA tem crescido nos últimos quatro anos, depois de ter conseguido superar a crise económica que assolou o mercado. Com um volume de negócios que ronda os dois milhões de euros, o primeiro semestre de 2016 trouxe um crescimento na ordem dos 30% a 40%. «Temos aumentado o volume de vendas, o que é muito bom. Em 2016 já se notou melhorias muito significativas em relação ao ano anterior», revelou Pedro Freitas.

Com investimentos constantes em tecnologia, a produtora de malhas tem sentido uma forte procura por felpas americanas e, sobretudo, «por produtos de qualidade», destacou Ricardo Monteiro, incluindo a utilização de fios orgânicos certificados.

Os mercados nórdicos estão atualmente na “linha de fogo” da MMRA, que não hesita em servir os pequenos negócios emergentes, tendo mínimos de apenas um rolo de malha. «Sentimos, tanto em Munique como em Londres, que existem muitas start-ups, muitas empresas novas, com marcas próprias, mais pequenas, que procuram fornecedores», apontou o diretor de exportação.

Com vontade de somar novos clientes mas sempre sem tirar os pés do chão, os próximos passos, ainda sem data marcada, passam por incluir Paris no calendário de feiras e desbravar novos mercados. «Gostaríamos de, dentro de dois anos, exportar 10% a 15% da nossa faturação», afirmou Ricardo Monteiro ao Jornal Têxtil.